Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/10/2019
Em 1954, nos Estados Unidos, o médico Joseph Edward Murray realizou o primeiro transplante bem-sucedido de órgãos, fato que lhe concedeu o nobel de medicina em 1990. Contudo, tal metodologia salvífica ainda enfrenta empecilhos pertinentes para sua efetivação eficiente no Brasil. Nesse viés, evidencia-se perniciosamente os paradigmas, bem como a apatia da sociedade.
Cabe salientar, a priori, que a desinformação acerca do tema dificulta a concessão familiar. Nesse contexto, nota-se que a ausência de esclarecimento dos processos, como nos casos morte encefálica, em que uma parcela da população desconhece seu caráter não só irreversível, mas de potencial doador. Consequentemente, a família, mesmo havendo interesse em doar, espera os sinais vitais do corpo desaparecerem, o que inviabiliza o transplante da maioria dos órgãos em tempo hábil.
Ademais, a falta de empatia da presente modernidade fortalece das barreiras para a resolução da questão. Nessa lógica, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman discute sobre a individualidade inerente à contemporaneidade, que repercute tanto nas relações sociais, quanto -ao tratar-se de transplantes- na preservação da vida do outro. Como resultado, inúmeras pessoas deixam de ajudar às outras, as quais morrem a espera de um órgão.
Dessa maneira, urge que o MS- Ministério da Saúde atue no fomento à doação de órgãos, através da promoção de campanhas de elucidação metodológica e incentivo popular nos principais veículos de comunicação. Nesse sentido, efetivar-se-ia tal ação a fim de conscientizar os cidadãos no que concerne à importância de sua colaboração na vida do outro, de modo a exortá-los a agir esclarecida e solidariamente. Desse modo, a sociedade brasileira valorizará o procedimento cirúrgico elaborado por Joseph Edward Murray.