Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/10/2019
O século XXI pode ser até reconhecido pela evolução tecnológica, mas também por grandes dificuldades enfrentadas pela sociedade brasileira. Entre as questões alarmantes encontra-se a doação de órgãos, uma vez que o transplante é uma corrida contra o relógio, na qual o prêmio tão esperado resume-se aos direitos fundamentais à vida e à saúde, garantidos pela Constituição Federal.
Em primeiro plano, o transplante de órgãos é o último recurso esperançosamente aguardado pelos pacientes acometidos por patologias crônicas graves, instaladas em qualquer fase da vida e que não obtiveram sucesso com tratamentos ditos conservadores. A doação de órgãos em vida, é uma prática possível, desde que não comprometa a saúde do agente doador, sendo considerado um ato de profundo respeito ao próximo. Assim, são exemplos de órgãos doados em vida: rim, fígado, pulmão e medula óssea. Já os demais, somente podem ser doados após a morte encefálica e com a permissão dos familiares. No entanto, a relutância das famílias em autorizar a doação de órgãos, infelizmente, perdura tanto por questões religiosas quanto por desconhecimento do processo de morte cerebral.
Apesar do Brasil ser o segundo maior país do mundo em realização de transplantes, há muito o que fazer, pois a rede de assistência privada pouco participa dos procedimentos cirúrgicos e os hospitais pertencentes ao Sistema Único de Saúde (SUS) tendem a localizarem-se nas regiões dos grandes centros urbanos. Ademais, é fato que ocorre a redução de gastos públicos após o transplante, mesmo com a manutenção adequada de medicamentos para evitar a rejeição do próprio organismo. Mais um fator favorável à doação de órgãos, refere-se ao bem estar que essa ação promove às famílias envolvidas - doador e receptor - conforme revelado na teoria de Platão, quanto à necessidade de se pensar sempre na felicidade coletiva agindo de forma moral.
Logo, os benefícios da doação de órgãos devem ser amplamente difundidos no âmbito nacional com o intuito de quebrar paradigmas e/ou convenções. Para isso, por meio das secretarias de saúde e de educação, as campanhas de conscientização devem ser veiculadas nas mídias sociais e nos espaços públicos (escolas, praças e centros comunitários), consoante o sociólogo Zygmunt Bauman que reflete sobre a importância da mobilidade social dentro dos ambientes coletivos. Outrossim, deverá ser proporcionado, apoio psicológico aos familiares que perderam os seus entes queridos, através dos hospitais que confirmam o falecimento do possível doador, bem como o Ministério da Saúde deverá firmar convênios com os governos municipais e estaduais e realizar parcerias com a iniciativa privada a fim de acrescer a oferta de hospitais credenciados a transplantar órgãos garantindo portanto, maior agilidade e qualidade nos serviços prestados.