Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 31/10/2019

O filósofo John Locke, pai do liberalismo, entendia que para o sucesso da sociedade era necessário a ação dos indivíduos conjunta com a do Estado. Todavia, a prática deturpa a teoria, uma vez que, os dilemas para a doação de órgãos são evidentes, fruto da falta de informação junto a negligência familiar e a ausência de comprometimento político, cujos corroboram para essa emblemática.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que de acordo com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos e do Ministério da Saúde, o Brasil teve um aumento de 18% na doação, entretanto esse número ainda não é o suficiente para suprir todas as demandas, haja vista que existem mais de 30.000 pacientes na lista de espera. Logo, nota-se que a escassez de conhecimento dos indivíduos e a recusa da família são  empecilhos para o aumento deste, dado que majoritária população brasileira não possuem acesso a educação de qualidade, cuja impede o discernimento em diversos assuntos. Além disso, inúmeros profissionais da saúde não esclarecem aos familiares a importância desse ato, o que resulta na perca de órgãos vitais funcionais e na perca de outras vidas que aguardavam na fila pelo transplante. Ademas, de acordo com Hobbes, os indivíduos tendem a pensar apenas em si mesmo, acarretando em obstáculos para a contribuição com os demais. Esse cenário evidencia, então, o quanto a sociedade atual é individualista, ilustrando a ideia de modernidade liquida de Zigmunt Bauman, o qual, segundo ele “As relações escorrem pelos vão dos dedos”.

Outrossim, Chiquinho Scarpa, empresário brasileiro, divulgou que iria enterrar seu carro de 1 milhão de dólares, no entanto momentos antes enterrar, declarou que inúmeras pessoas enterra algo muito mais valioso do que seu carro, que seria os corações, fígado, pulmões e olhos saudáveis que poderiam ser utilizados para salvar tantas outras vidas. Análogo a esta metáfora, percebe-se que além dos obstáculos supracitados, a ausência de comprometimento político na área de saúde acarreta no descaso para realização de transplantes, corroborando para perca de inúmeros tecidos vitais e na morte das pessoas em fila de espera.

Em vista dos fatos aludidos, medidas são necessárias para resolver o impasse, tendo em vista os dilemas para doação de órgãos. Logo, o Ministério da Educação deve instituir palestras ministradas por professores e agentes da saúde, visando a conscientização da população sobre a importância do ato. A mídia deve difundir valores positivos, incentivando os indivíduos.Ademas, o Governo junto ao Ministério da Saúde, deve introduzir políticas com o intuito de melhorar as condições para transplante. Além disso a Receita Federal deve direcionar parte dos impostos para o tratamento dos pacientes submetidos a este procedimento. Só assim, com base na primeira Lei de Newton, esse problema sairá da inércia.