Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 31/10/2019

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. De forma análoga ao trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, percebe-se que essa pedra é um obstáculo, assim como a questão da doação de órgãos no Brasil. Hodiernamente, Por se tratar de um assunto bastante relevante, é indubitável que essa problemática precisa ser analisada de maneira mais séria e organizada. Nesse sentido, isso se evidencia não só pela falta de informações na sociedade, mas também a má infraestrutura do serviço público de saúde.

Primordialmente, vale destacar que a ausência de conhecimento pela população reflete, diretamente, na lacuna de doadores. De acordo com o secretário de saúde do Estado de São Paulo, afirma que um dador pode salvar até sete vidas. De conformidade com Émile Durkhein, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar. A partir disso, nota-se que é fundamental disseminar conteúdos sobre esse assunto, principalmente, como acontece a transferência de órgãos e o enorme número de pessoas que serão beneficiadas com novas mudanças, uma vez que a quantidade de doadores é insuficiente para o número de indivíduos que aguardam na lista de espera. Desse modo, é fato que, com a expansão da informação e o reconhecimento pela população, crescerá o número de concessores na sociedade.

Em segundo lugar,cabe mencionar que outro aspecto bastante relevante é o sistema de saúde brasileiro, visto que existe problema, essencialmente, em sua infraestrutura. Conforme o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o bem-estar social, sobretudo, a vida dos indivíduos. Ademais, na doação de órgão é fundamental a presença de um ótimo serviço público, posto que são necessários inúmeros cuidados para manterem determinado corpo e, posteriormente, a retirada dos órgãos. No entanto, em paralelo com o pensamento de Thomas, verifica-se que não condiz com a realidade, pois, o Brasil possui dificuldade quanto ao serviço de saúde. Dessa maneira,o país precisa de investimentos para garantir a segurança do transplante.

Infere-se, portanto, cabe aos meios de comunicações disseminarem informações sobre a necessidade das doações, por intermédio de campanhas publicitárias, com a finalidade de convencer a população a se tornarem novos concessores. Além do mais, urge que o Ministério da Saúde invista em profissionais e estruturas adequadas para realizarem os transplantes, por meio de cursos de capacitação e ambientes próprios que garantam a segurança dos indivíduos, com o intuito de oferecerem maiores contribuições para resguardarem uma vida. Em virtude disso, possa existir a quantidade suficiente de pessoas doadoras e que precisam dos órgãos e, finalmente, a pedra citada por Drummond, seja removida e solucionada.