Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 01/11/2019
Na animação oriental “Tokyo Ghoul”, após um acidente com o protagonista Ken Kaneki, um médico utiliza do transplante de órgãos para salvar a vida do personagem. Fora da ficção, essa operação tem sido necessária em todos os países, para evitar mortes dos receptores, os quais têm falta de estruturas corporais ou deficiência nessas. Essa prática, porém, é dificultada pelo receio familiar ao abordar o tema, além da desinformação pela população sobre o ato solidário, que muitas vezes é desconhecido.
A priori, é notório que os entes próximos do indivíduo não têm conforto ao conversar sobre o transplante, já que pode ser delicado para algumas pessoas ou parecer muito perigoso. Nesse sentido, a família ignora, ao máximo, a necessidade do diálogo com os filhos, a qual explicita a decisão deles a respeito do destino dos seus órgãos. A partir disso, pela falta do esclarecimento da escolha, a família, no caso da morte encefálica do indivíduo, opta por não entregar os órgãos do falecido. Assim como o nefrologista José Pestana afirma, a principal justificativa desses parentes é o fato de nunca terem discutido sobre o desejo de doar.
Além disso, deve-se inferir que a falta de conhecimento da nação, a respeito da doação, afeta o índice de voluntários, já que as pessoas deixam de fazer a operação por não conhecê-la. Nesse sentido, o sociólogo Sérgio Buarque afirma que os brasileiros têm uma identidade amigável e solidária, o que faz com que eles tendem a cometer o transplante de órgãos. Ademais, de acordo com a CAF, organização global de caridades, o Brasil está entre os oitenta países mais solidários do mundo. Destarte, pode-se constatar que grande parte do povo estaria disposto a doar as estruturas corporais, se soubessem dessa possibilidade.
Portanto, para que os receptores de órgãos tenham suas vidas salvas e a sociedade seja mais solidária, medidas devem ser tomadas. Primeiramente, a mídia precisa exaltar a urgência das doações, mostrando, por meio de publicações emocionais em redes sociais, como essa prática ajuda os necessitados. Outrossim, a família deve abordar, de maneira gradual, o assunto do transplante de órgãos, a fim do esclarecimento dos membros sobre a escolha da doação, em caso de morte encefálica. Deste modo, todos os receptores terão suas vidas salvas, como Kaneki.