Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/10/2019
A série americana “Greys Anatomy”, discorre a temática da doação de órgãos em diversos de seus episódios; além de expor os vários dilemas que envolvem tal prerrogativa. Dilemas esses enfrentados todos os dias em diversos países como o Brasil, que apesar de ser a segunda maior nação doadora de órgãos e tecidos, ainda não conseguiu atingir sua meta de doadores efetivos, segundo a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos). Assim, faz-se necessário que o país trace metas a fim que menos indivíduos morram enquanto esperam por um transplante.
Seja pela falta de comunicação de potenciais doadores com suas famílias acerca da doação de seus órgãos, ou pela desinformação da sociedade quanto à questão, dados apresentados pela ABTO mostram que 43% das famílias se recusam a doar os órgãos de seus entes queridos. Ademais, a ausência de centros médicos capacitados e com infraestrutura para realizarem a coleta, transporte e transplante dos órgãos em todas as regiões do país, fazem com que frequentemente estes já não possam mais ser utilizados. Certamente, tais obstáculos dificultam a dinâmica da doação de órgãos no Brasil, tornando uma questão de tamanha complexidade cada vez mais difícil de ser resolvida.
Dessa forma, o conceito de modernidade líquida proposto pelo sociólogo Zigmunt Bauman, se correlaciona com a recusa de muitas famílias quanto à doação de órgãos, visto que o estudioso aponta que nos dias atuais as noções de individualidade aumentam cada vez mais, tornando gestos como os de altruísmo, muitas vezes ausentes nas relações interpessoais dos indivíduos. De maneira análoga, tais noções individualistas, como também os tabus a respeito do tema, fazem com que milhares de pessoas morram enquanto esperam por um transplante, como também fazem com que mais famílias tenham que enfrentar a dor de se perder alguém querido por falta de recursos e solidariedade.
Destarte, o Ministério da Saúde deve promover campanhas publicitárias em todos os meios de comunicação, incentivando a doação de órgãos; e que em conjunto com o Ministério da Educação sejam realizadas palestras a fim de desconstruir os mitos a respeito do tema, estimulando sentimentos de empatia e altruísmo. O governo também deve construir novas bases hospitalares em todas as regiões do país, que sejam aptas a realizarem os transplantes, para que assim menos órgãos sejam “desperdiçados” em consequência das distâncias dos centros médicos. Por fim, os Conselhos Federais de Medicina, Psicologia e Enfermagem, devem oferecer cursos aos seus profissionais que objetivem uma melhor abordagem com a família a respeito dos potenciais doadores.