Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 02/11/2019

A técnica de transplante de órgãos, nascida durante a Segunda Guerra Mundial, se tornou uma esperança àqueles que estão na lista de espera de doação de órgãos e de tecidos humanos. No entanto, embora o Brasil tenha atingido destaque no contexto mundial de doação, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, 2017, ainda há uma vasta resistência quanto ao procedimento, por falta de criticidade da população, o que dificulta o aprimoramento do sistema.

A priori, é fulcral abordar que a negação familiar é o principal motivo para que um órgão não seja doado no Brasil, consoante ao Ministério da Saúde, 2017. Tal quadro aufere forças no modo indelicado de como os profissionais de saúde comunicam aos familiares que acabaram de perder um ente querido a respeito da técnica utilizada, a fim de obter os órgãos e de salvar as vidas em espera. Sob essa ótica, é oportuno afirmar que há um impasse comunicativo que tolhe a melhoria da conjuntura vigente. E, assim, as listas de espera enfrentam seu pior inimigo: o tempo.

Sob outro viés, é essencial destacar o papel solene do Estado no que tange à eficiência do processo de transplante. Seguindo essa linha de pensamento, conforme notícias do Governo Federal, 2016, o decreto assinado pelo ex-presidente Michel Temer, que determina a disposição de uma aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira) exclusivamente para o transporte de órgãos para transplante, é motor genuíno na agilidade do procedimento. Dessa forma, o sucesso da técnica é proporcional ao empenho das esferas governamentais e da comunicação eficaz entre os agentes de saúde e o corpo social.

Urge, portanto, que ajustes sejam feitos a fim de lapidar o cenário atual. Desse modo, é imprescindível a atuação conjunta do Ministério da Saúde e do Governo Federal. Ao primeiro, cabe dispor de profissionais de saúde mais humanizados e cautelosos, por meio de treinamentos acerca do modo de comunicação com os familiares que perderam seus entes e, por conseguinte, haverá o ganho de confiança mediante informações claras e precisas. Ao segundo, deve aumentar a frota de transporte aéreo, mediante a sólidos investimentos, com o propósito de reduzir o tempo de espera entre o receptor e os órgãos doados. À vista disso, o Brasil alcançará maiores patamares na força tarefa de salvar vidas por intermédio de transplantes.