Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 01/11/2019

No livro ‘‘A República’’, do filósofo Platão, o autor idealiza uma civilização na qual todos os indivíduos trabalham em busca da harmonia, ou seja, do bem comum. Infelizmente, os dilemas da doação de órgãos afastam o país dessa sociedade utópica, uma vez que a escassez de órgãos impede a salvação de vidas, comprometendo a saúde de alguém. Isso ocorre devido à falta de suporte nos momentos de transplantes e a negação da família diante do ato. Diante disso, é importante que se busquem caminhos para resolver tal impasse.

A princípio, vale ressaltar que a má estrutura de alguns hospitais impossibilitam o processo de transplantação. De acordo com a Constituição de 1988, criada no governo de José Sarney, o artigo 6° garante a todos o direito à saúde. Entretanto, o desinteresse do Estado em melhorar a infraestrura para a realização de um procedimento rápido, acaba aumentando o tempo de espera de muitos pacientes, cujos muitas vezes não sobrevivem. Tal fato pode ser exemplificada pela situação vivida por Denny Duquette, na série ‘‘Grey’s Antomy’’, o qual necessitava de um transplante de coração, mas faleceu antes de adquirir o órgão. Com isso, a negligência governamental, além de romper com os ideais propostos por lei, compromete a evolução saúde pública e põe em risco a vida de pessoas doentes. Deste modo, urge que medidas sejam tomadas com o fito de combater esse imbróglio.

Além disso, deve-se dizer que a doação de órgãos precisa ser autorizada pelos familiares do falecido para ser efetuada. Em contraste, muitas ainda negam a efetuação, conforme a pesquisa da ABTO (Assosiação Brasileira de Transplante de Órgãos), em que relata que 47% das famílias se recusam a doar o órgão do parente com morte encefálica. Isso demonstra que um dos fatores dessa não permissão se deve da esperança na reversão do quadro clínico de seu ente, pela descrença no diagnóstico dado pelos médicos ou até mesmo  por motivos religiosos, visto que muitas religiões não são apoiadoras do gesto. Assim, atitudes são necessárias para erradicar o problema.

Portanto, para minimizar os dilemas para a doação de órgãos no Brasil, o Ministério da Saúde, responsável pela manutenção da saúde pública, deve melhorar as condições hospitalares para a realização de transplantes, por meio de investimentos em equipamentos de qualidade, para que o processo seja realizado com praticidade e rapidez. Ademais, a mídia, pelo seu alto poder de persuasão, necessita inserir a discussão sobre a importância da autorização dos familiares para a consessão de órgãos de seus parentes, através de campanhas publicitárias, a fim de alertá-los os benefícios que esse órgão trará. Somente assim, o país estará mais próximo da utopia platônica.