Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 02/11/2019
No filme, “Uma Prova de Amor”, a personagem Anna Fritzgerald é concebida com intuito de salvar a vida de sua irmã, o que leva a garota a passar por diversos procedimentos cirúrgicos. No entanto, aos onze anos, Anna decide que não quer ser apenas um instrumento de cura e se nega a fazer as doações necessárias, logo procurando um advogado para emancipar-se da família. Fora da ficção, existem centenas de pessoas no lugar da irmã de Anna, á espera de um transplante.
De acordo com os dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, há mais de 30 mil brasileiros na fila de doações. Porém, a desinformação mediante o assunto prejudica os pacientes, uma vez que a hesitação da população é proeminente. Os motivos que os levam a essa incerteza é a infraestrutura limitada, escassez de recursos e a falta de profissionais especializados na área. A representação cinematográfica também é nociva, pois o procedimento é geralmente retratado de forma negativa, como na obra “Uma Prova de Amor”, o que aumenta a desinformação e a hesitação populacional.
Segundo a Lei de nº 9.434, a doação pós morte apenas pode ser ocorrer posteriormente ao constatamento de morte encefálica, e apenas não acontecerá se a família não autorizar, o que acaba se tornando a maioria dos casos. Frequentemente, os parentes se mostram suspeitos em relação a corrupção do comércio ilegal e tráfico de orgãos, o que expõe ainda mais a falta de conhecimento e a visão errônea perante o tópico.