Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 02/11/2019

O filme ‘‘A ilha’’ apresenta um futuro distópico em que uma clínica, usando da biotecnologia, produz clones de seus clientes a fim de criar novos órgãos para serem transplantados. Diferente do que acontece na ficção científica, a sociedade atual passa por inúmeros desafios para receberem um novo tecido, incluindo o preconceito e a baixa quantidade de doadores.

A priori, apesar da modernidade bem como o advento tecnológico em que vive-se, não se torna possível a ficção de ‘‘A ilha’’ ser uma realidade, pois, pilares como a ética biológica não permitem o uso da biotecnologia para clonar seres humanos e seus respectivos órgãos. Além dessa impossibilidade, para Zygmunt Bauman, a sociedade é composta por relações sociais fragilizadas e, partindo da máxima do filósofo, o individualismo entre as pessoas é cada vez mais acentuado na contemporaneidade, o que dificulta o debate acerca da doação de órgãos.

Por conseguinte, o preconceito aliado a crenças e padrões culturais, é apresentado como mais um obstáculo para o andamento da doação. A população é fortemente ligada à cultura de enterrar o corpo por completo, sendo regida por suas respectivas crenças. Diante disso, é notório que a falta de informação e propagação da importância de ser um doador são fatores que implicam na tomada de decisão do indivíduo. Em paralelo a uma baixa quantidade de doadores, o Ministério da Saúde expôs que 41.266 pessoas aguardam por uma nova chance de vida na fila de transplantes, portanto, se faz necessário que medidas devem ser tomadas com urgência.

O Ministério da Saúde, além de campanhas conscientizadoras, deve expor, por meio da programação televisiva, depoimentos de pessoas que foram transplantadas a fim de transmitir a importância de se um doador. Ademais, o Ministério da Educação deve garantir que seja debatido nas escolas, desde cedo, o impacto que uma doação pode causar positivamente na vida daquelas pessoas acometidas por doenças. Desse modo, a população em geral tornar-se-á mais empática, o que consequentemente aumentaria o número de doadores e diminuiria a fila de espera.