Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 02/11/2019

A técnica de transplante, nascida durante a Segunda Guerra Mundial, século XX, trouxe a possibilidade de esperança àqueles que estavam submetidos à lista de espera de doação de órgãos e, assim, retomar a sua rotina habitual. No entanto, embora o Brasil tenha alcançado destaque mundial no procedimento citado, há grandes obstáculos a serem vencidos, a saber, a falta de criticidade dos indivíduos a respeito da importância de ser um doador e o sucateamento do Sistema Único de Saúde.

A priori, é fulcral abordar que a ausência de informações claras e de ensinamentos acerca dos impactos positivos causados na vida de outrem por meio da decisão do cidadão em praticar a solidariedade em sua forma mais benevolente, é o empecilho precípuo na estagnação dos índices de doação de órgãos. Tal conjuntura é análoga ao imperativo ético categórico do filósofo Immanuel Kant, haja vista que a ação deve ser realizada com fim em si mesmo, ou seja, o ato de doar deve ser realizado sem olhar a quem, a fim de se atingir a benesse social. Dessa maneira, a conscientização traz não só a ampliação do senso crítico, como também o desenvolvimento da empatia para com o próximo.

Sob outro viés, é essencial destacar que, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, 2018, o Brasil dispõe de um excelente time de médicos especializados no transplante de órgãos. Todavia, os ínfimos investimentos em recursos nos hospitais públicos ofuscam o brilhantismo e a potência do país em ascender a outros patamares e, por conseguinte, salva um número menor de vidas do seu potencial previsto. Com efeito, nota-se que, à medida que há um maior investimento na saúde pública, o progresso na técnica de transplante atinge vertiginosamente mais pessoas que estão à espera do procedimento.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de lapidar o cenário atual. Desse modo, é imprescindível a atuação conjunta do Ministério da Educação e do Governo Federal. Ao primeiro, cabe conscientizar os estudantes, por meio de palestras socioeducativas no âmbito escolar, com a presenta de familiares e de médicos, a fim de salientar a magnitude da prática da solidariedade aos que necessitam. Ao segundo, deve, mediante sólidos investimentos, reestruturar os hospitais com recursos indispensáveis na busca da excelência do ato cirúrgico, com o objetivo de reduzir o tamanho da lista de espera da doação de órgãos.  À vista disso, a sociedade brasileira respeitará o imperativo categórico de Kant.