Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 26/11/2019

No filme americano “Um ato de coragem”, pode-se ver o personagem de John Q. na luta para conseguir um novo coração para o seu filho. Tal cena tem sido a realidade de milhares de brasileiros que estão na lista de espera por órgãos  que podem salvar suas vidas. No entanto, assim como na ficção, grandes são as dificuldades encontradas pelos cidadãos na luta por sua sobrevivência. Dentre elas, cabe citar o elevado tempo de espera, muitas vezes ocasionando a morte, assim como a falta de doadores suficientes para suprir a demanda.

Primeiramente, vale destacar a longa espera que os pacientes enfrentam para conseguir o sonhado transplante de órgãos. Atualmente, no Brasil, existem mais de 40 mil pessoas no cadastro técnico único, a conhecida lista de espera, de acordo com a ABTO- Associação Brasileira de Transplante de órgãos. Devido a tamanha concorrência, muitas pessoas esperam meses, e até anos, na esperança de achar um órgão compatível. Esse sonho, muitas vezes, não se realiza, levando o indivíduo a óbito.

Contudo, sabe-se que tal fato é ocasionado pela falta de doadores suficientes. Esse problema deve-se a negação da família do potencial doador, precedida pela falta de compreensão sobre os procedimentos, principalmente o que tange a morte encefálica, e a falta de abordagem adequada ao assunto, pelos profissionais da saúde, em um momento de perda. De acordo com dados da ABTO, devido a tais fatores, 43% dos brasileiros negam a doação de órgãos. Por causa disso, atenta-se para o pensamento de Immanuel Kant, que diz que “O homem é aquilo que a educação faz dele”, frisando a importância de conhecer e fazer conhecida a problemática da doação de órgãos.

Portanto, faz-se necessário o encurtamento do tempo de espera nas listas, bem como a conscientização e educação da população acerca do assunto, e treinamento de profissionais, para que possa haver mais doadores efetivos. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde, juntamente com a mídia, invista em divulgação por meio de anúncios televisivos, publicações em redes sociais e cartazes informativos nos hospitais, a fim de mostrar a população os benefícios de ser um doador, e esclarecer suas condições e procedimentos. Além disso, o Ministério da Saúde deve implantar treinamento de profissionais da área, por meio de palestras em cada estado, para que a abordagem às famílias seja de forma sábia, convencendo os familiares a liberarem a doação. Com isso, o número de doadores aumentarão, diminuindo o tempo de espera nas listas, devido a maior demanda de órgãos. Dessa forma, a conquista da doação poderá ser mais fácil do que para John Q.