Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 25/05/2020

A Constituição Federal garante aos brasileiros a inviolabilidade do direito à vida. No entanto, o Brasil vive uma crise em relação à doação de órgãos. Nesse contexto, não há dúvidas de que esse mal é um desafio social, o qual ocorre devido não só à falta de informação, mas também, à precarização do serviço público de saúde.

Vale destacar, de início, que uma das principais motivações para essa questão é a falta de informação. Isso porque não há campanhas que esclareçam à população sobre como ocorre a doação de órgãos no Brasil. Além do mais, existem conceitos que são desconhecidos pelas pessoas, como a questão da morte encefálica, dado que ao ser decretada é porque ocorreu parada definitiva do organismo. Assim, tais fatores surgem como empecilhos para salvar vidas, já que, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, 47% das famílias brasileiras não permitem a retirada dos órgãos por terem a esperança de que o parente esteja vivo. Logo, é crucial melhor debate do assunto nos mais variados âmbitos sociais, a fim de expandir informações pertinentes ao conteúdo.

Faz – se mister, ainda, salientar a precarização do serviço público de saúde como impulsionadora do tema. Visto que, conforme o site G1, em 2018, a pouca qualificação técnica de profissionais durante a abordagem aos familiares dificulta o entendimento dessas pessoas acerca da importância da liberação dos órgãos de seus entes queridos, pois tal conduta, muitas vezes, é feita sem empatia e respeito à parte emocional da família. À vista disso, é essencial melhor qualificação no comportamento desses profissionais de saúde, pois, em concordância com Carl Rogers, psicólogo estadunidense, “ter empatia significa ter sensibilidade para perceber o sentimento que uma determinada pessoa esteja experimentando naquele momento”. Então, é fundamental não haver instabilidade no modo de tratamento com todos os usuários dos serviços públicos de saúde.

Enfim, com o intuito de melhorar o dilema da doação de órgãos, no Brasil, o Ministério da Saúde deve promover ações mais inerentes à realidade social, por meio de alertas sobre a importação de tais práticas. Isso pode ser feito nas escolas, mediante palestras para alunos e pais, em que  médicos darão informações de como as pessoas poderão salvar vidas ao doarem um elemento do corpo àqueles que necessitam. Por outro lado, há necessidade de maior investimento na qualificação dos profissionais da saúde, por intermédio de cursos e acompanhamentos psicológicos, a fim de melhorar a abordagem aos que precisam, principalmente em situações como a captação de órgãos. Tudo isso com finalidade de proporcionar um melhor entendimento por parte da família, bem como empatia dos servidores de saúde. Destarte, a sociedade desfrutará da igualdade de direitos garantidos conforme a Carta Magna.