Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 24/03/2020

Preconceito. Recusa da família. Precariedade na infraestrutura hospitalar. Falta de empatia e preparo de equipes médicas ao tratar assuntos delicados. Tráfico de Órgãos. Esses são alguns motivos que agravam o cenário caótico de doação de órgãos no Brasil e corroboram para sua diminuição, apesar da extrema importância que tem para salvar a vida de diversas pessoas.

Em primeiro lugar, cabe analisar que a falta de informação e a inaptidão de diversos profissionais da saúde, são fatores que acentuam essa problemática. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 43% das famílias negaram a doação de órgãos de seus parentes, e os motivos dessa recusa vão desde o despreparo médico para alertar do falecimento cerebral de seus entes -que alimenta uma falsa esperança de vida do mesmo-, até a desconfiança e o tabu relacionado a esse procedimento.

Além disso, a corrupção nessa esfera também é perceptível através da crescente modalidade do tráfico de drogas na sociedade brasileira. Segundo a Polícia Federal, esse crime é o terceiro mais rentável no mundo e um dos mais caros. Isso ocorre pois, pessoas com mais poder aquisitivo, ao entrar na fila de espera, são capazes de oferecer altos valores para receber esses órgãos rapidamente, na qual, como Schopenhauer já dizia, o homem torna-se egoísta em situações que se sente ameaçado.

Portanto, é perceptível que a ganância e a ignorância são causas para a dificuldade da doação de órgãos no Brasil. Logo, cabe a Polícia Federal o rigor nas penas aplicadas em relação ao tráfico de órgãos, e o monitoramento para evita-lo, para que assim, a oportunidade de sobrevivência possa ser distribuída de forma igualitária no nosso país. Urge também a criação de campanhas e palestras, através do Ministério da Saúde, que desmistifiquem o tabu relacionado a esse procedimento, para que, dessa maneira, possamos distribuir maiores esperanças de vida para a população brasileira.