Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 02/04/2020

O “Sob Pressão” é um seriado brasileiro que, em um dos seus episódios retrata a dificuldade de aceitação em relação a doação de órgãos, e narra como a falta de informação e as crenças influenciam na tomada de decisão. Salva a licença poética apresentada na obra, são notórias as implicações para realizar a doação. Com base nessa necessidade de transformação, é relevante analisar os dilemas da doação de órgãos.

Em primeiro plano, importante frisar que, no Egito antigo, ocorria o processo de mumificação, em que se conservava o corpo e enterrava os órgãos, pois acreditava-se que cada unidade do torso pertencia a  uma entidade, e retirá-los de perto da pessoa que o carregava condenaria sua alma ao sofrimento. Dessa forma, segundo o filósofo Sócrates, “Os erros são consequência da ignorância humana”, ou seja, naquela época não se tinha o conhecimento  sobre transplantes e seus benefícios, assim perpetuar esse pensamento pode ceifar a vida de inúmeras pessoas.

Por conseguinte, “No meio do caminho tinha uma pedra”, análogo a poesia de Carlos Drummond Andrade, outros impasses são enfrentados no processo da doação de órgãos. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de  Órgãos (ABTO), dos 10 mil casos de  morte cerebral, apenas 50% concordou com a doação dos órgãos. Logo, essa realidade demonstra a falta e informação na diferença entre coma e morte cerebral, o que impede a melhoria na rapidez da fila de transplante, além de salvar vidas. Sendo assim, conforme a escritora Valéria Nunes de Almeida, “Nada custa mais caro do que a ausência de informação”.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para combater esse problema. Posto isso, o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino deve, incluir na feira de ciência das escolas, esquemas de como ocorre o transplante e porque ele é importante, por meio de vídeos orientados por professores e médicos capacitado, para assim levar mais informação. Por fim, a ABTO, em conjunto com a mídia deve, divulgar propagandas sucintas elaboradas por profissionais da saúde nas redes sociais e tv, explicando a diferença entre coma e morte cerebral, além de esclarecer o processo do transplante,  para que toda a população tenha um melhor esclarecimento sobre o assunto antes de tomar alguma decisão difícil em momentos de fragilidade. Assim, a partir dessas atitudes, será possível mudar o contexto atual com menos sofrimento do que fora mostrado na série “Sob Pressão”.