Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 11/04/2020

O Brasil é destaque no contexto de doação de órgãos. Segundo dados divulgados pelo jornal OGlobo, em 2017, o país registrou recorde de doadores, com 1.662 doadores no primeiro semestre - aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar disso, muitas pessoas ainda estão a beira da morte, com número de pessoas ultrapassando os 30 mil na lista de espera. Sendo assim, é necessário aumentar o número de doações e de transplantes de órgãos e de tecidos, pois a perpetuação dessa situação causa o sofrimento e a morte de milhares de brasileiros todos os anos.

Em primeiro lugar, é necessário destacar as principais causas de o número de órgãos doados e de transplantes realizados ainda ser pequeno. De acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), a recusa das famílias em autorizar os transplantes ainda é alta (43%). Ou seja, a falta de comunicação entre os possíveis doadores e as famílias, por conta do tema ainda ser um tabu, acabam por gerar maiores índices de recusa por parte dos familiares; analogamente, o individualismo e a falta de informação da população, alimentam as “fake news” acerca da doação de órgãos.

Ademais, enquanto os tabus instituem a desinformação e o individualismo na população, milhares de brasileiros, que estão na lista de espera por um órgão morrem. Atualmente, conforme dados da ABTO, 26.507 pessoas aguardam por um rim; 11.413, por córnea; 1.904, por fígado; 389, por coração; 203, por pulmão; e 64, por pâncreas. Consequentemente, além das mortes, caminhamos para o não cumprimento da meta da Associação (16,5 doadores efetivos por milhão de habitantes).

Destarte, para que possamos atingir as metas da ABTO e mitigar o número de mortes que ocorrem durante a espera por órgãos, é necessário que o governo, em parceria com o Ministério da Saúde promova campanhas de divulgação de informações sobre o transplante de órgãos no Brasil. Para isso, deve utilizar mídias digitais, tais como redes sociais, televisão, etc e também folhetos, para alcançar um maior quantitativo populacional. Por meio dessa ação, será possível reduzir a falta de informação de grande parte da sociedade brasileira. Ainda, cabe às escolas, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), promover a abordagem do tema em sala, com vistas a desconstruir os mitos e as aversões em relação ao tema, bem como incentivar a empatia e o altruísmo. Dessa forma, poderemos contribuir para a redução do  sofrimento e do número de  mortes dentro da população brasileira.