Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 27/04/2020

No Brasil contemporâneo, as estatísticas do Sistema Nacional de Transplantes demonstram que aproximadamente 40 mil brasileiros precisam realizar algum tipo de transplante. Entretanto, embora tal ação seja responsável por salvar diversas vidas, atualmente, há dilemas para efetuar essa conduta, como a falta de conhecimento sobre essa temática e a negativa familiar. Logo, medidas que tragam características positivas para o tema são imprescindíveis.

A priori, é nítido que a falta de acesso à informação dificulta a assimilação da importância da concessão de órgãos pela população. À vista disso, a novela “Em Família”, da Rede Globo, retratou o transplante de coração realizado pelo personagem Cadu, e , devido à exploração desse tópico em redes nacionais, o número de transplantes do órgão no ano da novela ampliou. Contudo, atualmente, é evidente que esse assunto e seu devidos esclarecimentos não são pautas comuns na sociedade, visto que campanhas direcionadas a esse tema possuem pouca visibilidade. Desse modo, em um eventual momento de decisão, a unidade familiar reage com surpresa ao sugestionamento dos médicos sobre a relevância da retirada dos órgãos, e, por isso, não autorizam a doação devido ao desconhecimento sobre a situação.

A posteriori, é importante ressaltar que a recusa familiar é o principal motivo para que um órgão não seja doado. Assim, segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, 43% das famílias se recusam a doar órgãos de um parente com morte cerebral. Desse maneira, nos dias atuais, é perceptível que o grande empecilho para a realização de transplantes é a falta de conhecimento sobre a morte encefálica, posto que o familiar permanece acreditando na reversão do quadro do paciente e se nega a cogitar sobre a doação de órgãos. Tal situação somada às condições emocionais, garantem a rejeição dos familiares a cerca da solicitação do consentimento para a transferência dos órgãos do ente querido.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são indispensáveis para reverter tal quadro. Posto isso, é vital a contribuição da mídia para promover informações sobre a importância da doação de órgãos, a partir de campanhas nacionais que visem explorar esse tema em redes sociais e televisivas, a fim de que se amplie a adesão dessa atitude na sociedade. Além disso, é crucial o apoio do Ministério da Saúde para providenciar a capacitação dos especialistas de saúde, a partir de investimentos direcionados para a qualificação, para, assim, formar profissionais que possuem o conhecimento necessário para sanar e respeitar as dúvidas familiares. Somente assim, será possível resolver as instâncias que envolvem a doação de órgãos.