Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 25/04/2020
A medicina é marcada por constantes evoluções. No século XX, uma dessas possibilitou que ocorresse o primeiro transplante de órgão no mundo. Desde então, esse processo salva milhares de vidas anualmente. No entanto, para que ele possa acontecer é necessária a doação de órgãos. Contudo, ainda há uma resistência à essa devido a tabus religiosos que marcam a sociedade desde a era medieval associado a falta de informações científicas sobre possibilidade de doar órgãos. Por isso, é necessário instruir as pessoas sobre a existência desse processo de maneira científica, para que elas possam tomar suas decisões embasadas em conhecimentos teóricos, a fim de que mais vidas sejam salvas e mais transplantes sejam realizados.
Primeiramente, é necessário ressaltar que a Igreja tem grande influência na vida das pessoas. Durante o medievo, essa interferiu no desenvolvimento da ciência. O filme Frankenstein, de autoria de Mary Shelley, que é passado durante a Idade Média, explicita essa situação, visto que o personagem principal, doutor Victor Frankenstein, é condenado pela igreja por pensar na possibilidade de abrir um corpo humano para realizar um procedimento médico. Além disso, essa influência desenvolveu tabus que predominam atualmente e dificultam o processo da dação de órgãos. Isso exemplifica por meio de religiosos como Testemunhos de Jeová, os quais acreditam que a Bíblia proíbe a ingestão de sangue e que os cristãos não devem aceitar transplantes de órgãos.
Como consequência dessa influência, muitas pessoas não buscam informações científicas suficientes para formar uma opinião precisa a respeito da dação de órgãos e optam por não autorizarem ou realizarem o processo. Visto que, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a maioria dos órgãos a serem transplantados são originados de pessoas as quais faleceram e que os familiares do possível doador permitiram a realização da doação. Todavia, de acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), 47% dos familiares não autorizam o procedimento e impossibilitam a doação dos órgãos, muitas vezes, por não possuírem conhecimento prévio sobre essa.
Portanto, fica evidente a necessidade de aumentar o número de transplantes de órgão no mundo. Para isso é preciso que a OMS desenvolva projetos que visem instruir as pessoas sobre a possibilidade e importância da doação de órgãos, por meio de palestras e propagandas em televisões abertas com discursos de pessoas que foram salvas por transplantes e responsáveis da área da saúde, a fim de que o número de pessoas que permitem e realizam a doação cresça consideravelmente. Pois, mostrando o lado científico dos benefícios da realização do processo as pessoas terão um bom embasamento para decidir aderir o processo e com isso mais pessoas permitiriam esse e mais vidas seriam salvas.