Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 26/04/2020
Promulgada pela ONU, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) garante a todos os indivíduos o direito à vida e ao bem-estar social. Conquanto, a negação e a apatia frente à doação de órgãos impossibilita que uma parcela da população desfrute desse direito universal na prática, haja vista a liquidez dos relacionamentos sociais hodiernamente, bem como o papel da mídia na formação de um pensamento filantropo. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade solidária seja alcançada.
Em primeiro lugar ,para entender a relevância do tema, é fundamental compreender a liquidez contemporânea. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI, transformando o convívio social em situações voláteis, em que os indivíduos são mais individualistas, abdicando a concepção de bem-estar social da coletividade e tornando-se cada vez mais apáticas. Diante de tal contexto, a sociedade marcada por essa liquidez, tende a ser mais egoísta e etérea - afetando em um aspecto de saúde - a campanha à doação de órgãos, visto que a alteridade sobrepõem o ato de doar e o direito à vida, partindo-se ao desencontro da DUDH.
Faz-se mister, ainda, salientar a negligência midiática à manutenção do pensamento como impulsionadora e agravante ao estigma exposto. Segundo o filósofo Marshall McLuhan, os meios de comunicação não são apenas veículos de transmissão, mas sim objetos de difusão à interação e cooperação social. Diante do exposto, é essencial analisar o papel midiático na formação e persuasão de ideias, uma vez que essa função corrobora para um corpo social altruísta e consciente no engajamento ao processo de doação de órgãos. Dessa maneira, é um equívoco não considerar a imperativa ação para mitigar esse estorvo.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse entrave. Desse modo, urge que o Ministério da Saúde (MS), em junção com o Ministério da Educação, deve estabelecer, por intermédio de verbas governamentais, projetos educacionais relacionados ao exercício da solidariedade e do bem-estar social, com o objetivo de educar e promover a coletividade e a transformação de uma sociedade empática. Ademais, cabe também à mídia, em união com o MS, incentivar, por meio de propagandas e campanhas de conscientização, com a finalidade de estimular e reforçar a importância da doação de órgãos como instrumento para resguardar vidas. A partir dessas ações, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da alteridade social, alcançando o estágio oposto da máxima Baumaniana.