Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 29/04/2020

A humanidade sempre buscou se desenvolver em todas as áreas para desfrutar de uma melhor qualidade de vida. Assim, inclusive, foi na medicina, a qual, na década de 1960 possibilitou, no Brasil, o primeiro transplante de órgãos, tal feito jamais teria sido possível anos antes, devido a falta de estrutura. Desde então, os profissionais da saúde despertaram para a importância e os benefícios do transplante de órgãos; contudo, em terras brasileiras, as dificuldades para o aumento da doação de órgãos é uma realidade inaceitável, consequência da recusa familiar e da desestrutura hospitalar.

Em primeiro lugar, a falta de conhecimento das famílias a respeito da importância do ato de doar órgãos dificulta seu crescimento no Brasil. Neste contexto, entre 40% e 50% dos familiares não autorizam a realização da coleta de órgão da pessoa morta, a fim de salvar outro indivíduo. Percebe-se, em muitos casos, a falta de diálogo em casa a respeito desse assunto e da decisão final de cada componente familiar. Além disso, é possível identificar a carência de solidariedade no grupo familiar, a qual apesar da dor da perda, pode ser exercida tanto para ajudar outro ser humano, quanto para fazer com que o ente querido que partiu deixe um legado.

Ademais, é importante considerar a falta de estrutura hospitalar existente no Brasil, a qual se torna um empecilho para o aumento da doação de órgãos. Nesse sentido, para realizar a retirada dos órgãos é necessário que haja cuidados com o corpo a fim de manter os órgãos em bom estado de funcionamento. Entretanto, dentre as precauções estão a ingestão de hormônios, a utilização de bolsas de sangue e equipamentos adequados, por exemplo; todavia, não são todos os hospitais que possuem todo suporte para realizar essa função, assim, muitos potenciais doadores são perdidos. Portanto, a deficiência de investimentos nesse importante setor da medicina tem permitido a morte de muitos indivíduos que precisam de órgãos sadios com urgência.

Em suma, o Brasil precisa vencer essas dificuldades e ir em direção ao aumento da doação de órgãos. Primeiramente,é necessário conscientizar o brasileiro que, mesmo na dor da morte, é possível fazer o bem doando órgãos. Essa ação deve ser realizada pelo Ministério da Saúde com parceria de canais midiáticos, redes sociais e emissoras de televisão, a fim de produzir propagandas reflexivas e  séries com fatos reais de pessoas que vivem e viveram a realidade de precisar de uma doação de órgãos, para, assim, despertar dentro dos lares debates a respeito desse tema. Além disso, é plausível que o Governo Federal libere verbas para, junto do Ministério da Saúde, mapear os locais mais carentes de estrutura hospitalar a fim de realizar a coleta de órgãos e investir nesses lugares para melhor atender a todos os brasileiros. Dessa forma, doar órgão no Brasil será uma honra.