Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 03/05/2020

De acordo com a missionária católica, Madre Tereza de Calcutá, a ação individual, apesar de parecer pequena, complementa uma causa e aumenta as suas dimensões. Análogo à isso, a doação de órgãos realizado em casos de morte encefálica - a qual parte de uma ação individual - traz benefícios significativos para várias pessoas. Contudo, tal ação apresenta empasses, principalmente a negação familiar, já que há a falta de informações sobre o assunto e de engajamento para a sua visibilidade e importância. Dessa forma, muitas pessoas, que estão na fila de espera de hospitais, são prejudicadas pela desinformação e pela falta de diálogo sobre a doação.

A princípio, ressalta-se que 47% das famílias se opõem a doar órgãos de familiares com morte encefálica, consoante à Associação Brasileira de Transplantes dos Órgãos. Isso ocorre porque, a doação é um tabu para a sociedade, ou seja, não é um assunto discutido e com visibilidade no cotidiano, mesmo que haja o conhecimento da necessidade dos órgãos, não há grandes campanhas e divulgação midiática que façam a causa ser lembrada. Por exemplo, o desejo de doação não é discutido em mesas de jantar ou em rodas de amigos. Dessa maneira, a negação das famílias, na maioria das vezes, são ocasionadas pela falta de visibilidade do tema e de discussões sobre isso.

Ademais, considera-se que um outro pilar da negação familiar é a falta de informações e conhecimento sobre o processo de doação de órgãos e sobre o que seja a morte encefálica. Em face disso, muitas famílias acreditam que tal processo esteja relacionado com a doação de partes do corpo externo, como braços e pernas, e que isso cause deformações no falecido. Além disso, algumas famílias não compreendem que a morte encefálica já é considerada morte e irreversível, o que mostra que, embora os estudos sobre o corpo humano tenham sido iniciados no Renascimento, o conhecimento popular sobre o corpo é limitado. Um exemplo disso é a falta de contato da maior parte da população com o conhecimento médico. Desse modo, há o desconhecimento sobre o estado do falecido e da forma como ocorre a doação.

Portanto, a fim de incentivar a doação de órgãos, primeiramente, as Secretárias Municipais devem realizar campanhas, por meio de cartazes e palestras em escolas e postos de saúde, que informarão a importância da doação de órgãos, explicarão como ocorre o processo e que devem proporcionar o questionamento pessoal sobre o desejo de doar. Outrossim, a mídia, na condição de influenciadora e de meio acessível, deve divulgar a necessidade  de doação de órgãos, por intermédio de podcast e posts que tirem dúvidas da população e frisem a sua relevância. Assim, transformará atos individuais em ações coletivas que visarão manter a vida do próximo.