Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 13/05/2020
Na antiguidade, os egípcios acreditavam na inviolabilidade do corpo, de modo a desenvolver técnicas de mumificação com intuito de preserva-lo para uma vida após a morte. No entanto, hoje, crenças como essa dificultam a doação de órgãos no Brasil e consequentemente diminuem a chance de vida de milhares de pessoas. É necessário, portanto, analisar tal realidade de modo a identificar a falta de conhecimento sobre o assunto, a negativa familiar e a influência de crenças, bem como as consequências na vida de indivíduos que esperam por anos em filas de transplante.
Em primeiro lugar, é válido dizer que para a ocorrência da doação é necessário a autorização da família, que na maioria das vezes não sabe a escolha do doador, devido a falta de diálogo, logo, a escolha é unicamente dela. Com isso, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), a negativa familiar é um dos principais motivos para que órgãos não sejam doados, somando 43% entre todos os possíveis transplantes. Além disso, um fator relevante é a burocracia e a falta de logística envolvendo todo o processo de doação, que na maioria das vezes é bastante demorado e leva à desistência prévia da família em vista disso ou à perda do órgão . Ademais, vale lembrar que entre a grande quantidade de justificativas quanto à negação da doação por parte da família, estão os mitos, as questões religiosas, as culturais e as sociais.
Em segundo lugar, diversas são as consequências na sociedade brasileira. Entre elas, cabe ressaltar primeiramente, que as filas ficam cada vez maiores, logo, a há maior demanda de tempo, gerando desgaste emocional aos que esperam ansiosamente por uma doação e suas famílias, além de que muitos acabam não resistindo e falecendo. Outrossim, muitas pessoas acabam buscando formas ilegais para conseguir um órgão e salvar suas vidas, e com isso contribuem com o mercado negro ligado ao tráfico de pessoas.
Diante dos fatos mencionados, conclui-se que medidas devem ser tomadas para que diminua a fila de espera por um órgão no Brasil. Logo, urge que o governo, por meio do Ministério da Saúde, busque simplificar e agilizar o processo que atualmente é bastante burocrático e demorado, através da disponibilização de profissionais especializados para tratar esses assuntos nas unidades de saúde e principalmente locomoção dos órgãos, para que não ocorra desistência e perda do órgão. Além disso, juntamente à mídia, deve-se veicular propagandas na televisão e redes sociais, por meio de influenciadores, para que chame atenção do público sobre a importância da doação de órgãos e faça com que as pessoas dialoguem sobre o assunto em suas casas. Assim, mais pessoas poderão ser contempladas com um novo órgão, de modo preservar a vida através de um ato caridoso.