Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 15/05/2020
No longa-metragem “Jumaji”, no segundo ato, a personagem que interpreta um cartógrafo, no jogo, salva seu companheiro de equipe ao doar uma de suas vidas a ele. De maneira análoga, a doação de órgãos é uma atitude similiar, porém, essa prática, no Brasil, encontra-se tolhida nos dias de hoje. Sendo assim, apontam-se o exacerbado egocentrismo e os poucos cidadãos aptos como as principais causas dessa problemática.
Primeiramente, é notório um sentimento individualista que impede muitos de doarem órgãos no país. Segundo a neurocientista Maryanne Wolf, tal noção ocorre nas diretrizes de seu conceito “Impaciência Cognitiva”. Com ele, a estadunidense preconizara que, hoje, os estímulos digitais corroboram respostas cognitivas rápidas e pouco refletidas, cujos responsáveis são fechados em bolhas socioculturais. Nesse prisma, tais bolhas impedem os indivíduos de cogitarem ajudar os demais, o que, sob a perspectiva da doação de órgãos, afasta muitas pessoas dessa prática.
Outrossim, àqueles que, apesar dessa primeira conjuntura, pretendem doar seus órgãos, pousam, comumente, problemas de saúde. Nesse sentido, geralmente, eles são impedidos de prosseguirem tal intuito altruísta, pois podem influenciar negativamente no quadro clínico dos destinatários. Evidência da proporção dessa realidade é o documentário “SuperSizeMe”, no qual o criador se põe a comer “fast-food” diariamente. Nessa crítica a tal hábito, antes de completar o desafio de um mês, ele teve de interrompê-la em virtudude de complicações médicas. Logo, considerando esse costume como quase ubíquo na contemporaneidade, a parcela capaz de doar órgãos se evidencia ínfima, de modo que se perpetua o número de enfermos esperando por uma doação.
Portanto, visto a intempestividade da problemática, infere-se a imperiosidade em dissolvê-la para atenuar os índices de espera por órgãos por tais pacientes. Para tanto, compete ao Ministério da Saúde - enquanto instância deliberativa no que concerne à saúde no Brasil -, por meio de verbas governamentais, o dever de produzir e conduzir campanhas, com intermédio das mídias locais, as quais incentivem práticas nutritivas saudáveis e pensamentos empáticos acerca dos que aguardam por órgãos, a fim de garantir tal atitude ativa no arcabouço social brasileiro. Dessarte, observar-se-iam pacientes salvos e cidadãos heróis, assim como em “Jumanji”.