Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 17/05/2020

Na antiguidade, os egípcios acreditavam na inviolabilidade do corpo, de modo a desenvolver técnicas de mumificação com intuito de preserva-lo para uma vida após a morte. No entanto, hoje, crenças como essa dificultam a doação de órgãos no Brasil e consequentemente diminuem a chance de vida de milhares de pessoas. É necessário, portanto, analisar tal realidade de modo a identificar a negativa familiar, influência de crenças e a negligência do sistema de saúde, bem como as consequências na vida dos indivíduos que esperam anos em filas de transplante.

Em primeiro lugar, é válido dizer que para ocorrência da doação é necessário a autorização da família nos casos em que os doadores não deixaram sua escolha documentada. Com isso, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), a negativa familiar é um dos principais motivos para que órgão não sejam doados, somando 43% entre os demais. Nesse contexto, vale ressaltar que os mitos, as questões religiosas, as culturais e as sociais também são justificativas comuns para que  transplantes não ocorram.

Em segundo lugar, apesar do Brasil estar em primeiro lugar em transplantes gratuitos, oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ele ainda sofre com a falta de profissionais que realizem transplantes específicos, investimentos na área, transporte adequado e burocracia para que o processo ocorra, levando, muitas vezes, à perda de órgão. Assim, vê-se um cenário de filas cada vez maiores, com maior demanda de tempo, de modo a gerar desgaste emocional aos que esperam ansiosamente por uma doação e suas famílias, além de que muitos acabam não resistindo e falecem. Outrossim, muitas pessoas acabam buscando formas ilegais e individualistas para conseguir um órgão, de modo à contribuir para o mercado negro ligado ao tráfico de pessoas.

Diante dos fatos mencionados, conclui-se que medidas devem ser tomadas para que mais transplantes possam ocorrer no Brasil. Desse modo, urge que o governo, por meio do Ministério da Saúde, busque simplificar e agilizar o processo de doação, através do aumento de profissionais treinados para tratar da documentação, equipe de pessoas direcionadas ao transporte dos órgãos e médicos especializados, para que não ocorra desistência do ato devido a falta de estrutura hospitalar ou perda do órgão. Somando a isso, juntamente à Mídia, deve-se veicular propagandas na televisão e redes sociais, por meio de influenciadores digitais, para que esse assunto seja falado dentro das casas, e ,consequentemente, aumente o número de doadores e diminua a negativa familiar. Assim, mais pessoas poderão ser contempladas com um novo órgão, de modo a preservar a vida através de um ato caridoso.