Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 24/05/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, quando se observam os dilemas da doação de órgãos no Brasil, verifica-se que a realidade é o oposto do que o autor prega, seja pela falha no sistema educacional, seja pela negligência governamental.
Primeiramente, deve-se ressaltar que a educação é o fator primordial para o desenvolvimento de um país. De acordo com o Fundo Monetário Internacional, o Brasil ocupa a nona posição na economia mundial, logo, seria racional acreditar que essa nação possui um sistema público de ensino eficiente. Porém, tal fato não acontece na prática, e o resultado desse contraste é claramente refletido na falta de informação acerca das regras, do protocolo e das formas de doação, e por consequência, a perpetuação do alto número de mortes devido à escassez de doadores de órgãos e tecidos.
Além disso, cabe salientar a negligência governamental como impulsionadora do problema. Desse modo, o governo, mediador das ações sociais, é o responsável por garantir o bem-estar da população, todavia, esse fato não ocorre no Brasil. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, torna-se essencial a resolução da problemática, a fim de diminuir a ocorrência desse cenário deletério.
Dessa forma, é de suma importância que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Portanto, com o intuito de mitigar os dilemas para a doação de órgãos, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais direcionadas pelo Tribunal de Contas da União, políticas públicas dentro das escolas que tenham como finalidade abordar a necessidade de aumentar o número de doações e de transplantes em disciplinas, como Sociologia e Biologia, discutindo questões sociais e culturais do ato, com vistas a mitigar e desconstruir os mitos e as aversões em relação ao tema, bem como incentivar a empatia e o altruísmo. Somente assim, a sociedade poderá alcançar a “Utopia” de More.