Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 23/05/2020

Leonardo Da Vinci, grande pintor renascentista e estudante de anatomia do século XV, foi um grande contribuinte para a medicina moderna quando desenvolveu o interesse pelo conhecimento dos conjuntos de tecidos humanos. Dessa forma, esses estudos culminaram no desenvolvimento do transplante de órgãos, que, em sua magnificência, salva muitas vidas. Entretanto, empecilhos como a irregularidade na fiscalização dessa técnica e a falta de informação para com os possíveis concessores tornam o sistema de doação de órgãos cada vez mais difícil de se consolidar no Brasil.

A princípio, é necessário analisar a realidade do país tupiniquim quanto às exigências meticulosas do processo transplantatório. Nessa conjuntura, uma pesquisa exposta pela agência de informação do governo do Brasil  no ano de 2018, afirma que 71% dos órgãos doados não puderam ser utilizados, pois, os casos falhos careceram de ambientes adequados, ventilação mecânica e manutenção da temperatura das estruturas doadas. Desse modo, é visível que o país brasileiro não investe o necessário em saúde básica, por isso, é totalmente negligente quando impede a veiculação dos conjuntos de tecidos saudáveis para os pacientes necessitados. Por isso, ações que incentivem verbas em tais procedimentos são de suma importância.

Outrossim, é fulcral mencionar o papel exercido pelos meios de informação na causa pela doação de órgãos no Brasil. Assim, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) dispõe em seu site várias informações sobre a técnica desses transplantes e notícias que incentivam o leitor a tornar-se um doador. Contudo, o debate sobre tal assunto vem perdendo enfoque nas redes televisivas e sociais, as quais são utilizadas por muitos brasileiros para retirar informação. Por consequência, a falta de explicitação pelos agentes informativos e sociais mantém o medo de grande parte da população em relação a tornar-se doadora. Desse modo, se não há a problematização desse assunto nas propagandas midiáticas, também não haverá pessoas interessadas na doação, e, com certeza, um círculo vicioso, que somente dificultará o processo transplantatório no Brasil, será gerado.

Em suma, para sanar esse prejuízo, é dever do Ministério da Saúde, em colaboração com a ABTO e desenvolvedores de tecnologia, criar um aplicativo que disponha todas as informações necessárias sobre a doação de órgãos. Esse aplicativo será financiado por tal órgão do Governo e conterá um banco de dados que, com facilidade, serão acessados por qualquer brasileiro interessado em ser um doador. Sendo assim, as redes televisivas divulgarão esse programa em horário nobre, e, toda essa ação será feita para que a população brasileira possa honrar o trabalho e estudo de Da Vinci e esteja ciente das vidas que pode salvar.