Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 25/05/2020

Segundo uma pesquisa realizada pelo portal R7, o Brasil aumentou em 15% a doação de órgãos entre os anos de 2016 e 2016. No entanto, ainda dentro da realidade brasileira, o número de pacientes na fila para transplante é crescente, o que impede que essa parcela da população desfrute do direito à vida e à saúde que é garantido por lei. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, que emerge devido à falta de esclarecimento populacional e ausência de confiança no serviço de saúde.

Convém ressaltar, a princípio, que a falta de esclarecimento da população sobre o assunto é um fator determinante para o problema. Consoante à ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), 43% das famílias se recusam a fazer a doação, chegando a 90% na região nordeste. Tal fato demonstra que o cenário atual é repleto de lacunas informacionais acerca dos procedimentos feitos para retirada e benefícios originados pelo transplante, ficando o hiato ainda mais perceptível em regiões onde a democratização da informação é dificultada.

Além disso, outra adversidade encontrada é a ausência de confiança no serviço público de saúde. Em razão da precariedade do SUS consequente da falta de infraestrutura mínima necessária, a população tende a desconfiar da equipe médica podendo cogitar hipóteses de que o paciente não faleceu e, em casos extremos, que os órgãos tomarão outros destinos, como o mercado ilegal, por exemplo, considerando que denúncias por tráfico de órgãos são recorrentes em nossa sociedade.

Infere-se, portanto, que diretrizes são necessárias para solucionar essa inercial problemática. Dessa forma, urge que o Ministério da Saúde democratize o acesso às informações sobre o transplante por meio de campanhas em mídias televisivas e sociais a fim de promover um maior esclarecimento público, uma vez que essas mídias abrangem diferentes povos de diferentes classes e culturas, o que possibilita um maior alcance das campanhas, dessa maneira, o Brasil poderá superar o dilema da doação de órgãos.