Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 02/06/2020
Em 1954, o médico Joseph Edward Murray realizou o primeiro transplante de órgão vital, recebendo, com isso, o prêmio Nobel de medicina. Entretanto, essa conquista não garantiu a mesma importância perante a sociedade, pois convivemos diariamente com os desafios da doação de órgãos no Brasil, os quais ocorrem, infelizmente, devido não só à desinformação, mas também ao precário sistema de saúde do país.
A priori, é importante salientar que de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 47% das famílias se recusam a autorizar a doação. Isso ocorre, em muitos casos, por conta da falta de diálogo entre os familiares acerca da vontade em ser doador, pois falar sobre a morte ainda é um tabu. Além disso, o desconhecimento a respeito dos protocolos e das formas de doação acaba gerando medo e insegurança, o que perpetua a situação de sofrimento de milhares de brasileiros que estão na fila de espera por um órgão. Nessa perspectiva, é imprescindível a dissolução dessa conjuntura e um olhar mais crítico de enfrentamento.
A posteriori, convém ressaltar que segundo Lúcio Pacheco, presidente da ABTO, há uma má distribuição das equipes que realizam transplantes no Brasil, visto que a maioria está concentrada no sul e sudeste. Essa desigualdade ocasiona um tempo maior de espera para as pessoas que não estão nessas regiões e necessitam de um órgão, podendo acarretar, lamentavelmente, a morte desses indivíduos. Ademais, a precária situação dos hospitais públicos - haja vista que realizam 96% dos transplantes - dificulta o processo operatório, deixando os pacientes mais expostos a riscos evitáveis, como infecções. Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse.
Dessa forma, com a observação dos aspectos analisados, é fulcral que o Governo, em parceria ao Ministério da Saúde, promova campanhas de divulgação a respeito do transplante de órgãos no Brasil, o que pode ser feito por meio de comerciais ou cutas-metragens, com atores ou youtubers, os quais possuem influência no público brasileiro, para assim informar a população sobre a importância da doação. Outrossim, o Governo deve investir na infraestrutura dos hospitais e selecionar profissionais de forma equitativa em todas as regiões. Com tudo isso, a conquista de Joseph será reconhecida e o impacto nocivo dessa problemática, atenuado.