Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 29/05/2020
Durante a segunda guerra mundial, devido ao grande número de feridos e todo o contexto do conflito, avanços na medicina foram impulsionados e ocorreram em larga escala. No entanto, mesmo com vários progressos na área medicinal alguns procedimentos encontram empecilhos para serem realizados, a exemplo o transplante de órgãos. Nesse contexto, analisa-se, no Brasil, que a dificuldade em se obter órgãos torna esse processo escasso, prejudicando vidas.
De acordo com Rousseau, filósofo iluminista, o homem nasce livre, mas por toda parte se encontra acorrentado. Sob tal ótica, percebe-se que a população brasileira fica presa a tabus. Dessa forma, a discussão acerca da doação de órgãos não é algo comum, visto que evoca a “temida” morte. Em conformidade, a disponibilização de informações visando desmistificar esse procedimento ocorre de maneira ineficaz. Sendo assim, o número de doadores é bem inferior a demanda da realização pelas transplantações, causando a morte de muitas pessoas.
Segundo Augusto Cury, psiquiatra brasileiro, os indivíduos vivem uma sociedade democrática, contudo praticam a ditadura do egoísmo. Nesse viés, deve-se ressaltar o papel negativo das famílias quanto à permissividade, o que impede potenciais doadores de realizarem os transplantes. Isso revela uma “atrofia” gerada pelo não exercício da alteridade e escassez do altruísmo, como era recorrente nos romances de Machado de Assis da corrente literária realista. Outrossim, há poucos profissionais especializados e má distribuição de investimentos para esses processos, refletindo o descaso do governo com a problemática.
Conforme Isaac Newton, um dos mais importantes físicos da história, postulou em sua primeira lei, um corpo tende a se manter no estado de inércia até que uma força atue sobre ele. Portanto, devem ocorrer ações para mudar essa realidade no Brasil. É necessário que o Ministério da Saúde dissemine a importância que o transplante de órgãos tem. Isso pode ser feito por meio da intensificação de campanhas publicitárias nas mídias sociais, mostrando dados da necessidade de doações e o impacto positivo na vida de um paciente, para que essa prática seja desmistificada e incentivada. Assim, da mesma forma que os avanços da medicina foram impulsionados na segunda guerra mundial, a doação de órgãos será.