Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 01/06/2020
Segundo uma pesquisa feita pela Agência Brasil, houve um aumento de 63,8% no número de transplantes realizados no Brasil no decorrer de 10 anos entre 2004 e 2014.Contudo, o número de órgãos doados ainda não supre a demanda da fila de espera para transplantes do SUS-sistema único de saúde-.Isso ocorre, em parte, por conta da desconfiança dos familiares responsáveis pela doação sobre este procedimento e o destino do órgão.Todavia, a concentração de infraestruturas capacitadas em cidades grandes para realizar tal ação, acaba por criar um dilema pois por mas que os responsáveis decidam doar isto se torna inviável devido tais condições.
Primeiramente,convém ressaltar que, a falta de conhecimento gera a desconfiança dos familiares. Segundo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Diante de tal premissa, se torna evidente que a falta de debate sobre a doação de órgãos em espaços educativos como em escolas e faculdades ou até mesmo de lazer como em filmes e comerciais contribui para a desinformação da população e de certa forma gera um temor sobre como ocorre o processo do transplante, quem realizará tal ação e qual será o destino do órgão transplantado.
Ainda mais,a infraestrutura hospitalar se encontra muita vezes como um empecilho aos doadores e aos pacientes receptores.Grande parte dos profissionais e materiais qualificados necessários para os transplantes se encontram em cidades densamente povoadas e desenvolvidas estruturalmente,deixando desta forma, os potenciais doadores de cidades pequenas excluídos deste processo.Assim, mesmo que a família decida doar os órgãos a falta de desenvolvimento hospitalar não permite, o que faz com que milhares de órgãos sejam desperdiçados todos os anos.
Logo, tal dilema tem que ser resolvido para melhorar e facilitar a doação de órgãos no Brasil.Desse modo, é necessário que o Ministério da Educação juntamente ao Ministério da Saúde veicule campanhas e palestras gratuitas feitas por profissionais que trabalham neste departamento por meio de redes sociais,comerciais de TV e em ambientes voltados para a educação como escolas e faculdades, a fim de relatar à população sobre como é feito este trabalho e tirar suas dúvidas.Além disso, é indubitável que o Ministério da Saúde invista na qualificação de mais profissionais por meio do oferecimento de cursos gratuitos e na compra de mais materiais específicos através do dinheiro público a fim de ampliar os setores de transplante de órgãos nos hospitais brasileiros.Deste jeito, a fila de espera para transplantes no SUS irá diminuir e tal dilema será superado.