Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 11/06/2020

O filme, Jhon Q., de Nick Cassavetes, retrata a história de Michael, um garoto de dez anos de idade, que necessita de um transplante de coração para continuar vivo. No entanto, a falta de doadores o faz aguardar na fila de transplantes e torcer para que seu novo coração não chegue tarde demais. Fora da ficção, a imensa fila formada por pessoas que esperam por um transplante é uma realidade no Brasil. Sendo assim, a escassez de doadores e de unidades de saúde, preparadas para a conservação dos órgãos, aumentam ainda mais o tempo de espera dos pacientes.

Primeiramente, faz-se necessária uma avaliação acerca do número de indivíduos que estão na fila de espera de transplante de órgãos no Brasil. Sendo assim, dados do Ministério da Saúde indicam que existem mais de 40 mil pessoal na fila de espera por um órgão no cadastro técnico único. Tal situação se agrava ao longo dos anos, pois a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) aponta que cerca de 47% das famílias não permitem a disponibilização dos órgãos de pacientes com morte encefálica constatada. Desse modo, a lista de espera vai aumentando, e devido a baixa aceitabilidade da transferência de órgãos, muitas outras vidas deixam de ser salvas.

Ademais, há poucos locais aptos á conservação dos órgãos e tecidos a serem transplantados. Diante disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que menos de 30% das cidades brasileiras possuem o suporte necessário para realizar a preservação de órgãos, até que esses sejam levados ao receptor. Dessa forma, muitos órgãos não são utilizados e consequentemente pacientes deixam de realizar o transplante, aumentando ainda mais a fila de espera.

É imprescindível, portanto, que o Estado tome medidas para a melhoria da situação. O Ministério da Saúde, em parceria com a rede televisiva aberta, deve incentivar a população a doar órgãos, por meio de campanhas que mostrem como vidas podem ser salvas por meio desse gesto de solidariedade, a fim de aumentar o número de doadores no cadastro técnico único. Atrelado a isso, o Ministério da Saúde precisa aumentar o índice de locais capazes em preservar os órgãos, por meio do investimento nas unidades básicas de saúde, para que mais órgãos não sejam desperdiçados. Somente assim, diversas pessoas, que se encontram na mesmo situação que o personagem Michael, terão a oportunidade de reaver sua qualidade de vida.