Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 05/06/2020

O avanço da medicina proporciona imensas possibilidades de tratamento e cura para a preservação da vida humana, sendo a possibilidade de transplantes de órgãos uma das alternativas a determinadas doenças. Contudo, para que os transplantes aconteçam é preciso que haja um grande número de doadores, mas infelizmente essa não é a realidade experimentada no Brasil, visto que existem atualmente no país filas gigantescas para a espera de um transplante resultantes dos dilemas à respeito da doação de órgãos que a sociedade carrega em si. Sendo assim, cabe analisar as origens e efeitos dessa problemática, além de colocar em discussão medidas que revertam esse quadro.

A princípio, é importante ressaltar que as famílias não autorizam a doação de órgãos de seus entes queridos devido ao profundo receio elas têm com o fato de existir a possibilidade de que os órgãos não sejam destinados corretamente e sem parcialidade, ou ainda que sejam comercializados ilegalmente. Essa desconfiança acarreta a escassez de órgãos que acaba impedindo o funcionamento amplo do plano de ação e logística dos hospitais preparados para receber os órgãos e fazer os transplantes. Dessa forma, fica lamentavelmente claro que a falta de transparência do decorrer do processo de doação seja um fator determinante na decisão familiar.

Outrossim, esse quadro é indubitavelmente influenciado por questões de desconhecimento da população sobre necessidade de se discutir esse assunto em família, para que em caso de perda de um dos entes, a mesma tenha conhecimento da decisão do falecido. Isso acontece pois não há campanhas esclarecedoras suficientemente divulgadas, além de ser uma temática pouco discutida nas escolas com os estudantes, o que impede o desenvolvimento do exercício de alteridade por parte das pessoas que não têm contato com as necessidades desse quadro. Destarte, o número de pessoas nas filas de espera aumenta a cada vez mais e a esperança de vida a todos que necessitam é minimizada.       É imprescindível, portanto, reconhecer a necessidade se buscar por medidas que revertam esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Ministério da Saúde adapte a logística que segue no processo de doação de órgãos, se valendo das mídias para um maior alcance, de forma que esta fique mais transparente e permita um maior contato do paciente com família do doador, se ambos concordarem, para que estes se aproximem e seja mais humanitário. Ademais, é importante que o ministério da educação, esteja aliado nessa luta, promovendo campanhas nas escolas e em locais públicos, pois somente com muita educação, ações esclarecedoras e um sistema transparente as doações podem aumentar e diminuir o número de pessoas que esperam esperançosamente pela vida.