Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 08/06/2020
Tendo em vista o Principio da Maior Felicidade, do filósofo utilitarista John Stuart Mill, que enfatiza a ação moralmente certa como aquela que maximiza a felicidade para o maior número de pessoas, a doação de órgãos no Brasil deve seguir essa linha de pensamento para aumentar o número de doadores e de transplantes. Apesar de ser o segundo país no ranking mundial de doação de órgãos e de tecidos, o Brasil ainda não conseguiu superar a meta da Associação de Transplante de Órgãos, que é de 16,5 doadores efetivos por milhão de habitantes.
Uma vez que os indivíduos não têm informações básicas acerca das regras, dos protocolos e das formas de doação, cabe à família do falecido decidir sobre a doação ou não de seus órgãos e tecidos, o que na maioria das vezes leva a negação de tal ação. Outro fator que contribui para a ineficiência das doações é a falta de estrutura de coleta, transporte e transplante dos órgãos, com uma distribuição de centros de coleta desigual, concentrada nas regiões sul e sudeste.
Adicionalmente, pela demora no tempo de deslocamento, o órgão pode perder sua eficiência para um transplante. O desperdício de tal potencial colabora com a persistência do não cumprimento da meta da ABTO, causando mortes desnecessárias pela falta de um sistema de logística eficiente.
Portanto, para diminuir o sofrimento dos milhares de brasileiros que perdem familiares devido ao sistema falho de doações de órgãos no Brasil, o Ministério da Educação, junto com universidades, devem intensificar a formação de profissionais especializados em transplantes, no que diz respeito à área da logística. Ao descentralizar os centros de coleta, maximizando a produtividade dos transplantes de órgãos, muitas vidas seriam salvas.