Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 11/06/2020
O escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade, em sua obra “No meio do caminho”, retrata, de modo figurado, as dificuldades que o ser humano sofre ao longo de sua jornada. De maneira análoga, é notório que o problema hodierno da doação de órgãos representa um obstáculo na sociedade brasileira, fundamentado tanto pela vulnerabilidade do sistema de saúde, quanto pela falta de informação de parte da população. Logo, faz-se fulcral analisar a cooperação dessas causas para a persistência do problema.
Convém ressaltar, a princípio, que de acordo com o Artigo 1° da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os indivíduos nascem livres e iguais em dignidade, e também em direitos. No entanto, percebe-se que a determinação do artigo não é cumprida, tendo em vista a ineficiência do aparato estatal que impossibilita a solução para os dilemas da doação de órgãos, no que concerne à precariedade da infraestrutura do sistema de saúde brasileiro que não dispõe de centros de transplante com equipamentos de qualidade para um tratamento salubre dos pacientes. Fica evidente, portanto, que a atuação dos governantes contribuirá para a resolução da problemática.
Ademais, é imperativo postular que a desinformação também colabora para empecilhos na doação. A respeito disso, segundo Edson Souza, professor do curso de nefrologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a desinformação e a falta de diálogo resultam no alto número de pessoas na lista de espera e baixo de indivíduos que se identificam como doadores. À vista disso, tona-se de fundamental importância a disseminação de informações e orientações sobre como ocorre o processo de doação, principalmente às famílias de pessoas doadoras. Assim, é fato que, com mais conhecimento sobre o assunto, aumentará o número de concessores.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Governo Federal por meio do Ministério da Economia, disponibilize recursos financeiros para a construção de centros de transplantes de órgãos e para a capacitação de profissionais na área, a fim de oferecer mais segurança aos doadores e receptores. Além disso, cabe também ao Ministério da Saúde juntamente à Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), por intermédio de campanhas publicitárias, promover maior dispersão de informações, com o fito de alcançar mais doadores. Somente assim, o problema será solucionado e a realidade dos brasileiros deixará de se assemelhar ao poema de Drummond.