Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 27/06/2020

De acordo com a filosofa e teóloga alemã Edith Stein, “A essência mais íntima do amor é a doação”. O ato de doar órgãos e tecidos, a pessoas que fazem parte da lista de espera da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos), é de extrema generosidade. Segundo a ABTO, no ano de 2018, cerca de 32 mil pessoas cadastradas aguardavam por um órgão. Apesar de, a doação de órgãos ser uma ação digna de aplausos, os números de doadores ainda permanecem pequenos. Existem alguns fatores que contribuem, de forma negativa, para esse não crescimento: como a dúvida acerca do processo de morte encefálica,, em que o paciente se encontra, bem como, a falta de entendimento a respeito do processo de doação.

Um dos maiores avanços que a medicina teve na contemporaneidade, foi o transplante de órgãos. Hoje, o Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo, cerca de 90% dessas cirurgias são feitas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Todavia, a recusa dos familiares a doação de órgãos vem se mantendo ao longo dos últimos anos, cerca de 43% das famílias, segundo a ABTO, se recusaram a fazer a doação. Além da terrível dor que se encontram os familiares, outra causa dessa negativa é a insegurança a respeito do processo de morte encefálica, acreditar e aceitar que o processo de morte cerebral é absolutamente irreversível, é desolador, e a incerteza dos familiares a respeito do diagnóstico feito, é uma das causas dessa recusa.

Ademais, a não compreensão a respeito do processo de doação de órgãos, é outro fator que leva as famílias a dizerem não a doação. Existe um processo para a confirmação da morte encefálica, e é justamente aí que encontra-se o ‘‘x’’ da questão, a falta de conhecimento a respeito do assunto, ou mesmo a má ou pouca informação que os familiares possuem, dificulta o aval da da parentela, mantendo assim os números de potenciais doadores sem crescimento.

Em resumo, é preciso que haja uma mudança na visão que a população possui, a respeito da doação de órgãos. A sociedade em si, precisa entender que sem doadores, não há transplantes, e sem transplantes muitas pessoas morreriam. Cabe aos governo Federal e Estadual, através das mídias e veículos de informação, investirem em campanhas de conscientização acerca de todas as etapas do procedimento, bem como o Ministério da saúde, juntamente com o Ministério da Educação, promoverem palestras e debates acerca da doação de órgãos. O cidadão brasileiro salvável, precisa se colocar no lugar dos brasileiros que aguardam anos por um órgão, refletir em como seria estar em uma lista de espera, ano após ano. Um único doador, é capaz de salvar a vida de oito pessoas, e melhorar a qualidade de vida de inúmeros outros brasileiros. Empatia, essa é a palavra para tal contexto.