Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 12/06/2020

O filme “Sete Vidas” conta a história de Ben que, motivado pelo remorso, arquiteta a própria morte para que seus órgãos pudessem salvar a vida de totais estranhos. Desse modo, a pesar da temática trágica, o longa chama a atenção para importância da doação de órgãos e como a burocracia e a recusa familiar dificultam essa prática no Brasil.

A priori, convém destacar que, em caso de morte encefálica, os órgãos e tecidos de um indivíduo poderão ser removidos para doação mediante, apenas, à comprovação documental que expresse claramente sua vontade em vida ou por meio de consentimento familiar. No entanto, a autodeclaração de doador ainda é pouco realizada no país, uma vez que as pessoas não compreendem que um último ato de solidariedade pode ser a única esperança daqueles que estão na fila de transplante. Nesse contexto, a fim de torna o processo menos burocrático, existe um projeto de lei no Senado sobre consentimento presumido, no qual todos os maiores de 16 anos são automaticamente considerados doadores a menos que se manifeste contrário.

Por outro lado, esses empecilhos poderiam ser evitados se a família autorizasse a remoção dos órgãos. Todavia, de acordo com a Associação Brasileira e Transplante de Órgãos (ABTO), dos dez mil casos de morte cerebral anuais, apenas metade possuí permissão para que as partes do corpo sejam extraídas. Tal situação ocorre porque os parentes confundem os termos “falência encefálica” e “coma”, sendo que no segundo caso existe a possibilidade de o paciente acordar, o que dá falsas esperanças.

Portanto, tendo em vista a necessidade de explicar e debater o tema para que mais procedimentos sejam realizados no país, o Ministério da Educação deve incluir o tema “A importância da doação de órgãos” na grade curricular de biologia, por intermédio de palestras com especialista e apostilas didáticas. O fito de tal ação é obter um número maior de potenciais doadores no futuro. Assim, mais atos de solidariedade como retratado no filme “Sete Vidas” serão realidade no Brasil.