Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 22/06/2020

Na série americana Grey’s Anatomy, Denny Duquette é um paciente que morre na fila de transplante pois esperava, por mais de dois anos, um coração. Infelizmente, a realidade brasileira se assemelha com a obra ficcional, visto que, enquanto a fila de transplante cresce, a doação de órgãos é impedida por alguns obstáculos, como a falta de informação e de empatia da população.

A priori, vale ressaltar que a falta de esclarecimento sobre o assunto para a sociedade se apresenta como uma grande barreira para a doação. Nesse sentido, de acordo com Montaigne, o indivíduo tende a condenar aquilo que é estranho. Dessa maneira, uma família que possui a decisão de doar ou não os órgãos de um ente querido, por não conhecer o procedimento e não saber se os órgãos terão o destino correto, escolhe não realizar esse ato que salvaria vidas.

Outrossim, a dificuldade dos indivíduos de se colocar no lugar do próximo também se apresenta como um empecilho para que essa ação ocorra. Nesse contexto, segundo Durkheim, quanto maior o grau de interação entre os indivíduos de um grupo, maior o grau de solidariedade entre eles, entretanto, Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, diz que a sociedade atual está cada vez mais individualista. Dessa forma, com uma menor interação e pouca solidariedade entre os membros, atitude empáticas são mais raras e os indivíduos passam a não mais se comover e ajudar os outros através da doação.

É inegável, portanto, a necessidade de transpor as barreiras que ainda persistem na doação de órgãos no Brasil. Desse modo, cabe à mídia, junto com o Ministério da Saúde, criar projetos de informação, por intermédio de propagandas, a fim de esclarecer as dúvidas sobre o assunto. Para mais, cabe ao Ministério da Educação inserir no currículo escolar a importância da doação, por meio da adição de aulas sobre o tema, a fim de educar cidadãos mais empáticos. Assim sendo, a fila de transplantes não somará mais mortes como a do personagem Denny.