Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 24/06/2020

Em um dos episódios da série de drama hospitalar brasileira, Sob Pressão, uma mãe perde o filho por morte cerebral e resiste até o fim em doar os órgãos do jovem, apenas quando ela entende que não há chances dele voltar, e que com essa decisão muitas vidas serão salvas, ela o faz. O episódio da série aborda uma questão fundamental na efetivação da doação de órgãos no país, a decisão da família no ato de doação e os efeitos da negação ou concessão. Nesse contexto, é possível perceber que a doação de órgãos no Brasil ainda é uma questão delicada não só pelas consequências da possível negação familiar da doação, como também pela falta de investimento público na área de saúde pública.

Primeiramente, é mister salientar que a decisão familiar é um fator determinante para a doação de órgãos no país. No entanto, mesmo que o individuo tivesse abordado essa questão com seus familiares antes de sua morte, se na hora do óbito deste, devido ao sentimentos de luto, eles negarem, a doação não será realizada. Segundo Sócrates, a ignorância restringe as pessoas das possibilidades oferecidas pelo saber. Dessa forma, é notório que muitas famílias ainda recusam a doação pois não sabem que, uma doação pode salvar até quatro vidas, segundo a médica Cynthia Duran, logo, é necessário que a população saiba da importância da doação de órgãos para a salvação daqueles que possuem a chance de viver.

Outrossim, o pouco investimento na saúde pública representa outro obstáculo para a resolução do problema. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é o responsável por garantir o bem-estar social da população, entretanto isso não ocorre no Brasil, uma vez que o contrato social, teorizado pelo inglês, é diariamente anulado. De acordo com o site Albert Einstein, aproximadamente 35 mil pessoas estão na fila de espera e muitas delas morrem aguardando por transplantes dentro meses e até mesmo anos, isso não é normal. Dessa maneira, A falta de investimento na saúde pública brasileira representa um enorme desperdício de potencial pois 90% dos transplantes são feitos pelo SUS e, sem o devido financiamento e gestão, o SUS poderá ser privatizado, levando àqueles em instabilidade financeira à morte inevitável.

Portanto medidas são necessárias para resolver os dilemas da doação de órgãos no Brasil. Assim, é necessário, primeiramente, que o ministério de saúde, com a ajuda de publicitários, desenvolva comercias televisivos, juntamente com debates com especialistas televisionados, que visam à conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos, fornecendo todas as vantagens sobre o processo para que a família saiba que, fazendo tal ato, inúmeras vidas serão salvas.