Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 18/11/2020

De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, a taxa de recusa à doação de órgãos por parentes é de 43%, e a média mundial em torno de 25%. Este dado alarmante, demonstra como substancial parcela da população brasileira ainda se mostra indiferente a cultura de doação de órgãos. Assim, para modificar este problema, a desinformação da sociedade e a omissão governamental devem ser combatidos.

A princípio, a ausência de informações impede que muitas vidas sejam salvas. Sob esse viés, segundo um levantamento do Ministério da Saúde, estudos demonstram que, no Brasil, se tem 14 doadores para cada 1 milhão de pessoas. Nessas perspectivas, a falta de informação e orientação para que os familiares possam agir e de fato efetivar a doação adequadamente, corroboram para que os números de doadores sejam menores do que o necessário para suprir a demanda nos hospitais do país.

Outrossim, a estrutura precária dos hospitais contribuem para que a doação de órgãos não se conclua com exatidão no Brasil. Nesse sentido, para o Conselho Nacional de Medicina, o doador só estará apto a doação de órgãos vitais após constatar morte encefálica. Nesse âmbito, um problema bastante recorrente é que nem em todas as unidades de saúde têm equipamentos e profissionais capazes para atestar a morte encefálica, o que inviabiliza a doação. Como comprova em uma matéria publicada pela Folha de São Paulo, no ano de 2018, no qual o Brasil desperdiça ao menos 50% dos órgãos potencialmente aptos para transplante por falta de notificação dos casos de morte encefálica, despreparo das equipes que abordam as famílias dos doadores e infraestrutura hospitalar inadequada para manter o doador vivo até a retirada dos órgãos.

Diante dos argumentos supracitados, é de suma importância o debate acerca do assunto para que se possa amenizar a questão. Sendo assim, é imprescindível que o Ministério da Saúde, por meio de verbas da União, destine uma maior quantia monetária para a realização de campanhas informacionais para a conscientização da população. Sobretudo, cabe ao Ministério da Saúde, através de verbas governamentais, investir na infraestrutura dos centros médicos para que se possa melhor atender os doadores e seus familiares, além disso é imperioso que os profissionais de saúde tenham um melhor preparo para poder agir nessas situações. Assim, espera-se que através das campanhas os indivíduos contatem os seus familiares sobre o desejo de doar seus órgãos antecipadamente e que os hospitais tenha uma infraestrutura e médicos capacitados para melhor os atenderem.