Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 11/07/2020
No seriado norte-americano “Grey’s Anatomy”, Miranda Bailey- cirurgiã geral- lidera um transplante em “dominó” de seis rins simultâneos, em que cada procedimento está ligado ao anterior, pórem ao longo do episódio, Bailey enfrenta problemas em aguardar a aprovação familiar. Fora da ficção, nota-se que os dilemas relacionados a doação de órgãos no Brasil apresenta entraves semelhantes aos da série. Esse cenário nefasto, ocorre não só em razão dos familiares negarem a doação após o falecimento de seu parente, mas também má estrutura dos hospitais brasileiros.
Deve-se pontuar de início, que embora a autorização por parte dos familiares cresça a cada ano, ainda existe uma recusa constante, principalmente por não compreenderem à morte encefálica e como os órgãos poderão ajudar várias vidas. Segundo uma pesquisa produzida pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) mostram que, em 2012, cerca de 6mil foram diagnosticados com morte cerebral, mas somente pouco mais de 1800 se tornaram doadores. Diante disso, é essencial diálogos no âmbito familiar a respeito do assunto, uma vez que por lei a doação é somente permitida com autorização dos familiares, garantindo assim, que o pedido do falecido seja respeitado após sua morte.
Outrossim, cabe salientar, a má infraestrutura dos hospitais brasileiros, o que dificulta a realização de transplantes efetivos, pondo em risco os órgãos do doador. Segundo o contratualista Jhon Locke, o estado se compromete em defender o homem, o bem comum e dar condições para que ele se desenvolva. Nessa perspectiva, vemos que o contrato social é negligenciado em relação à saúde. Diante de tal contexto, é inadmissível a falta de investimentos em regiões pobres como o Norte e o Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, onde não apresentam condições para realizarem tais procedimentos.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para solução do problema. Dessa forma, compete ao Governo Federal, em parceria com Ministério da Saúde, promoverem políticas públicas, por meio da aplicação de verbas direcionadas as regiões mais pobres, com locais bem equipados e estruturados para realização de transplantes, a fim de melhorar problemas infraestruturais dos hospitais no Brasil. Dessa forma, o estado cumpriria seu papel no contrato social, garantindo assim, saúde de qualidade para todos os brasileiros.