Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 11/07/2020

Na série televisiva Grey´s Anatomy, acompanhamos o drama vivido pelo personagem Denny Duquette que aguardava na fila de doação de órgãos. Fora das telas, essa realidade é enfrentada por milhares de brasileiros, que aguardam a anos um transplante. Tal fato evidencia os dilemas enfrentados para a doação de órgãos no Brasil, sendo este causado pela escassez de informações direcionadas para a população, e resultando assim na morte de milhares.

Em primeiro lugar, é importante destacar a carência de campanhas incentivadoras. O transplante de órgãos ainda é pouco discutido, dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos indicam que no ano de 2018, 43% das famílias recusaram a doação de órgãos de seus parentes. Pode-se explicar esta recusa, através da negação familiar diante da perda do ente querido, visto que, ainda inúmeros  brasileiros desconheçam a morte encefálica, e sua condição de irreversibilidade.

Em virtude da rejeição familiar dos doadores em potencial, milhares de pessoas morrem anualmente na esperança de receber o órgão tão necessário. Segundo a ABTO, atualmente 35 mil brasileiros estão aguardando na fila de espera, e muitos a cada dia que passa veem suas expectativas de vida ruírem gradativamente. Médicos afirmam que apenas um doador pode salvar até 8 humanos, por isso é válido ressaltar que doar é sinônimo de vida.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para a resolução das adversidades apresentadas, seria de suma relevância uma parceria entre as redes midiáticas e o ministério da saúde, onde ambos estabelecessem, similarmente ao horário eleitoral, um horário intitulado “doar é vida”, sendo este período reservado para que médicos explicassem para a população brasileira a importância da doação de órgãos, assim como, as condições do falecimento encefálico. Dessa maneira, impediremos que cada vez mais pessoas se encontrem em situação similar de espera ao do personagem de Grey’s Anatomy.