Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 13/07/2020
Na alegoria, ’’ O mito da caverna’’ de Platão,o filósofo da Grécia Antiga narra a história de um prisioneiro liberto. Através da metáfora, o autor simboliza as imagens projetadas na parede como a ilusão da verdade,a corrente como o preconceito e a luz do sol junto à caminhada para fora da caverna como as dificuldades de viver em busca da verdade. Assim, o prisioneiro liberto é o indivíduo que, livre de preconceitos, sai de encontro à verdade. Entretanto, ao observar os dilemas da doação de órgãos no Brasil, percebe-se que muitos indivíduos estão dentro da caverna de Platão. Nesse contexto, deve-se analisar como a negação da família e negligência governamental colaboram para esse quadro.
Mormente, a falta de diálogo entre os membros familiares é o principal fator responsável para a permanência da problemática. Tal fato ocorre porque as famílias não conversam sobre a doação de órgãos após a morte. Assim, depois do falecimento do indivíduo, os parentes optam a não doarem, seja pela falta de conhecimento da vontade do cidadão falecido, seja pelo abalo emocional. Assim, diferentemente do que ocorre no Brasil, em janeiro, a França vigorou uma mudança na sua legislação que autoriza a doação mesmo que a família se posicione de maneira contrária. Entretanto, pela legislação brasileira, não basta a vontade do doador, a família precisa autorizar a doação.
Outrossim, a inobservância do Governo é outro fator primordial para a temática. Essa situação se deve porque os governantes não se preocupam em informar os cidadãos sobre a importância da doação de órgãos e qual o caminho jurídico a seguir antes da morte. Sob esse viés, de acordo com o sociólogo Bauman, em sua obra ’’ Modernidade Líquida’’, algumas instituições - dentre elas o Ministério da Saúde- perderam o seu papel social e configuram-se como ‘‘Instituições Zumbis’’ ao manter apenas a sua forma e encarregar a população a resolução de seus problemas. Nessa perspectiva, por falta de informação, muitos cidadãos morrem sem deixar registrado a doação de seus órgãos, consequentemente, o número de pessoas nas filas dos hospitais na espera de um órgão cresce linearmente.
Dessa maneira, medidas são necessárias para resolver o impasse. Portanto, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incentivar o diálogo entre os membros familiares sobre a necessidade de doar órgãos, com o viés de induz a comunicação sobre a temática da doação. Ademais, o Governo Federal, como instância máxima da administração executiva, em parceria com a mídia, deve,por meio da criação de uma propaganda nos grandes canais de televisão, informar os cidadãos sobre a realidade enfrentada pelos cidadãos que necessitam da doação de órgão,além de demostrar didaticamente como proceder, no meio jurídico, para realizar a doação, a fim de não só informar a população sobre a doação, como também ensinar como realizar o procedimento para doar.