Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 14/07/2020
A série norte-americana “The good Doctor” demonstra, no decorrer da trama, como o transplante de órgãos pode salvar vidas, quando feito dentro do período hábil. Transpondo-se a ficção, identificam-se, na sociedade brasileira atual, realidades divergentes, uma vez que milhares de indivíduos enfrentam dificuldades na obtenção de doação de órgãos. Isso se deve, sobretudo, a desinformação da maior parte da população, aliada, a falta de investimentos na saúde para a realização do procedimento. Desse modo, vê-se que é necessário que a sociedade, em geral, juntamente com o Estado,atue, de maneira engajada no sentido de evidenciar as causas e propor soluções adequadas à atual conjuntura.
É indubitável pontuar, inicialmente, a falta de estrutura especializada para a realização do procedimento de transplantes de órgãos na maior parte dos hospitais do país, principalmente de âmbito público. Sob esse prisma, conforme a metáfora do sociólogo Zygmund Bauman apresentada em seu livro- Modernidade Líquida- “algumas instituições dentre elas-O Estado- perderam sua função social, mas que se conservaram a qualquer custo sua forma, configurando como instituição zumbi”. Destarte, a metáfora denota que, infelizmente, as instituições de saúde, na sua maioria, não tem equipamentos e insumos suficientes para execução de processos cirúrgicos de alta complexidade como a doação de órgãos, bem como, a falta de profissionais especializados, contribuem para essa problemática. Logo, é substancial a necessidade de atitudes efetivas diante de tal situação.
Outrossim, é imprescindível ressaltar a falta de informação da maior parte da sociedade de como ocorre o procedimento e a garantia de uma boa segurança, corrobora a não aceitação das famílias para doarem os órgãos do parente. Nesse contexto, é válido citar a perspectiva do filósofo Jhon Locke- “a mente humana é uma tábula rasa, na qual, ao passar dos anos, consolidam-se os conhecimentos acerca do mundo”. Analogamente, tal fato converge com a realidade, pois, de acordo com ABTO (Associações Brasileira e Transplante do Órgãos), aproximadamente 50% da famílias se recusam a doarem órgãos dos parentes, pois, a maior parte dos profissionais não esclarecem de forma adequada como irá ocorrer o processo cirúrgico, gerando incerteza nos familiares.
Portanto, medidas devem ser tomadas. Cabe o Ministério da Saúde, o investimento financeiro na infraestrutura dos hospitais, garantindo salas de cirurgias aptas para a realização de transplantes, o oferecimento de recursos e insumos é fundamental, bem como, profissionais especializados para a realização desse procedimento. Ademais, os intermédios midiáticos por meio de propagandas divulgar a importância de se tornar um doador e salvar vidas, enfatizando também a garantia de segurança do processo através da imagem do profissional. Assim, terá desfechos como na série “The good Doctor”.