Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 17/07/2020

Segundo o escritor Franz Kafka, a solidariedade é uma das principais maneiras do ser humano expressar sua dignidade. Para isso, existem várias importantes ações, como a doação de órgãos, que só ocorre em casos de morte encefálica. No entanto, este processo ainda enfrenta muitos dilemas, que acabam interferindo nas doações, como a autorização por parte da família do doador e o receio de ocorrer tráfico e transplantes ilegais.

Primeiramente, é importante ressaltar que o Brasil possui uma Lei que define que a doação de órgãos  só deve acontecer com a permissão de algum parente próximo do doador. Porém, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), nos últimos anos, cerca de 40% das famílias negaram o pedido de doação. Isso ocorre, principalmente, devido a conflitos familiares e à falta de informação por parte dessas pessoas, que não compreendem ou não aceitam o significado de morte cerebral, uma vez que o coração do indivíduo continua batendo.

Ademais, muitas vezes, os familiares não se sentem confiantes sobre o destino dos órgãos do seu ente querido, pois há inúmeros casos de corrupção por parte dos médicos e tráfico, até mesmo para outros países, como forma de ganhar dinheiro ilegalmente. Com isso, um grande número de pessoas, que se encontram nas filas de espera por transplante, acabam não realizando o procedimento a tempo, e perdem suas vidas por causa das mais diversas e preocupantes questões.

Em resumo, a principal dificuldade para a doação de órgãos é a autorização familiar. Por isso, vê-se necessário que o Ministério da Saúde, juntamente com Organizações Não Governamentais, que lutam por esta causa, produzam uma campanha que será transmitida por meio das principais mídias sociais e em escolas. Ela explicará de modo simples o que é a morte encefálica, a importância de avisar os familiares sobre o desejo de ser um possível doador, e a relevância deste ato para a sociedade. Assim, muitas vidas poderão ser salvas, e a dignidade humana poderá ser expressada por meio de um belíssimo ato de solidariedade, como defendido por Franz Kafka.