Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 27/07/2020

Conforme o princípio ético da maior felicidade desenvolvido pelo filósofo John Stuart Miller, ações são consideradas certas na medida em que tendem a promover a felicidade mútua. Destarte, pode-se considerar que a ação de doar órgãos seja um ato correto, por promover a felicidade de quem está recebendo. Porém, por mais que, em teoria, a doação de órgãos seja um ato nobre, a prática, na realidade, mostra que as pessoas não doam seus órgãos como deveriam.

Nessa conjuntura, é necessário destacar a importância da divulgação da informação acerca das regras e das formas de doação, pois assim, a possibilidade das pessoas aceitarem a doação dos órgãos de algum familiar é maior, visto que, em território brasileiro, quem decide se vai ou não doar os órgãos é a família. Segundo Paulo Manuel Pêgo Fernandes, vice-presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), um dos fatores dos familiares não doarem é a falta da divulgação das informações sobre transplantes de órgãos.

Por conseguinte, essa falta de informação traz consigo uma taxa alta de pessoas que não têm ideia de como funciona o processo de transplantes de órgãos. Em uma pesquisa, feita em março de 2020, pela ABTO mostra que o número de pacientes em lista de espera de um transplante é de 37.818 no total, enquanto o número de órgãos transplantados do começo do ano até março de 2020 foi de apenas 828, causando, assim, várias mortes por não ter o suficiente para todos.

Portanto, para que mais famílias saibam sobre a importância da doação de órgãos, é necessário que o Conselho Federal de Medicina faça cursos de atualização visando a formação de profissionais mais bem preparados para a abordagem do tema com as famílias de doadores em potencial. Outra alternativa é a formação de palestras sobre o tema com a população leiga.