Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 20/08/2020
No ano de 2019, o apresentador Antônio Augusto de Morais Liberato,conhecido como Gugu,sofreu um acidente que resultou em sua morte encefálica. Respeitando o seu desejo,sua família permitiu a doação dos órgãos de seu corpo,podendo assim beneficiar dezenas de pessoas. Mesmo com esse ato servindo como inspiração à diversos possíveis doadores, no Brasil,o número de doações feitas não é o suficiente para suprir a necessidade da população necessitada.Visto que,no país esse procedimento é considerado por diversas famílias tabu; além disso, a falta de uma infraestrutura capacitada por todo o território nacional,atrapalha o estado a atender a demanda que se tem desse procedimento.
A priori, é necessário analisar que o Estado brasileiro, apresenta que a responsabilidade em decidir se ocorrerá a doação de órgãos de um falecido, é dos familiares, no qual em diversos casos tendem por negar. Isso ocorre, devido a falta de conhecimento que muitas famílias têm, em relação ao transplante e seu processo, dessa forma, usam a religiosidade como razão para não aprovar o procedimento – mesmo diversas religiões aprovando a doação dos órgãos – e quem prática. De acordo com Kant, “O homem é aquilo que a educação faz dele”. Dessa maneira, a escassez de informação e o desconhecimento sobre o procedimento, gerado principalmente pela falta de um bom ensino, resulta na negação da doação pela família, e na morte de pessoas que necessitam de um órgão.
Outro fator importante, é que no país a maior parte dos transplantes de órgãos ocorre na rede pública, muitas das vezes em um ambiente hospitalar precário. Essa problemática é resultado da gestão inadequada da renda distribuída para a saúde, que por consequência gera um ambiente instável para a realização de transplantes e atendimentos no geral. Segundo o filosofo Aristóteles, “A justiça é a base da sociedade”. Logo, no momento em que a vida do indivíduo está em risco devido a falta de infraestrutura, a sociedade fica em risco também, necessitando de uma melhor administração, para que assim ocorra de forma devida os procedimentos tanto de doação de membros, como também os gerais.
Diante dessas circunstâncias, pode-se analisar que a falta de conhecimento, pelas famílias, sobre o procedimento de doação e a precária estrutura dos locais onde é realizado o transplante, são problemas que dificulta a doação de órgãos. Assim sendo, é necessário que o Estado, por meio do Ministério da Saúde, tente aprimorar os hospitais do sistema público, com equipamentos adequados e atualizados, infraestrutura hospitalar adequada e também a criação de um órgão capaz de fiscalizar o dinheiro federal fornecido. Além disso, é importante que o mesmo ministério, junto com os sistemas de comunicação e as escolas, busquem informar a população sobre esse procedimento e seus benefícios para quem necessita dos transplantes.