Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 28/07/2020

30.273, 12.666 e 1.836. Esses números representam a quantidade de pessoas na lista de espera para obter um transplante de Rim, Córnea e Fígado, respectivamente, no Brasil conforme os dados do Ministério da Saúde (2020). Nessa ótica, apesar da medicina ter avançado, ela não consegue salvar a vida das pessoas sozinhas, já que precisa da autorização familiar para retirar os órgãos. Dessa forma, é preciso analisar a negação da família alicerçada a falta informação sobre a irreversibilidade da morte encefálica, no que tange a doação de órgãos e tecidos, com escopo de desenvolver alternativas para reverter esse quadro.

A priori, um dos maiores obstáculos é a negação dos parentes em autorizar a doação de órgãos de seus entes queridos, pois de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) 43% se recusam a doar mediante a morte cerebral, tal decisão impacta em maior sofrimento para os pacientes na lista de espera. Isso, ocorre devido a falta de capacitação dos especialistas na área da saúde no acolhimento da família e no adequado manejo clínico do doador, por exemplo, para garantir que o coração continue batendo até a retirada do órgão, sendo o diálogo algo relevante nesse processo. Nesse sentido, todo esse preparo e cuidado influência na compreensão e convencimento da família em optar pela doação.

Ademais, a morte cerebral é um tabu, não se tem muitas informações e a maioria não entende que é algo irreversível, o que provoca um sentimento de esperança na família quanto ressuscitação do parente, uma vez que não confiam no diagnóstico. Além disso, os familiares não sabem para onde vai ser levado os órgãos e o corpo mutilado. Isso tudo, agrava ainda mais o entrave para a doação.

Portanto, faz exequível ações para otimizar os transplantes. A princípio, urge a OMS em sinergia com o Ministério da Saúde, para desenvolver cursos de atendimento humanizado, voltado para especialistas na saúde, tal como médicos, em casos de doação de órgãos mediante a morte encefálica, através de fundos governamentais, com intuito de persuadir amigavelmente a família a autorizar a retirada dos órgãos. Outrossim, cabe o Governo Federal em união com a mídia, promover campanhas em locais públicos, na TV ou em telejornais, a respeito da importância desse ato solidário, a fim aumentar a aceitação das famílias.