Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 28/07/2020

Em 2001, um novo projeto de lei do Brasil transferiu a responsabilidade de escolher doar os órgãos para a família do indivíduo morto, como forma de aumentar a adesão a essa escolha. Entretanto, atualmente, a doação de órgãos continua a sofrer empecilhos, seja pelo desconhecimento do que ocorre com alguém que falece por morte encefálica ou pela crença religiosa.

Diante da realidade supracitada, uma pessoa só pode ter seus órgãos doados se houver morte cerebral. Em adição, um dos principais desafios para a doação deles é a ignorância da família acerca do que é o falecimento encefálico. Nesse sentido, segundo o médico Edvaldo Leal, os parentes, mesmo com o cérebro do falecido sem funcionar, optam por não permitir a doação, pois acreditam que há esperança de ele reviver, como pode ocorrer com outras estruturas funcionais do corpo. Entretanto, de acordo com o especialista, quando o encéfalo para a sua atividade é impossível que haja retorno. Dessa forma, o desconhecimento sobre a impossibilidade do indivíduo reviver após seu cérebro perecer impede que as famílias doem os órgãos do falecido.

Outrossim, a bíblia retrata uma ocasião quando o jovem Lázaro que, após dois dias de morto, teve seu túmulo visitado por Jesus e voltou a vida. Em contraste com essa história, muitas pessoas acreditam em um milagre de Deus capaz de ressuscitar seu parente já falecido, o que dificulta a aceitação da doação de órgãos. Em consoante ao exposto, segundo uma pesquisa da Universidade de São Paulo, um dos maiores obstáculos para que a família autorize que estruturas funcionais do seu consanguíneo sejam doados é a crença religiosa na ressurreição. Dessa maneira, a doação de órgãos sofre impasse da religiosidade da própria parentela.

Dessarte, medidas são necessárias para acabar com os empecilhos para a doação de órgãos. Para tal, é papel do Ministério da Cidadania, parte do executivo que é responsável pelo bem-estar da população, por meio de palestra com médicos (especialistas em transplantes), convençam os cidadãos que doar órgãos é seguro e que essa solidariedade salva vidas de pessoas, a fim de que os indivíduos que se sentiam inibidos possam autorizar esse procedimento. Assim, mais humanos poderão ser salvos por esse ato solidário.