Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/07/2020
A doação de órgãos tem aumentado no Brasil nos últimos anos. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o Brasil registrou, no primeiro semestre de 2017, o número de 1662 doações. Embora esse número seja considerado um recorde no país, o Brasil ainda está abaixo da média recomendada pela Organização Mundial da Saúde. Nesse contexto, deve-se analisar como o individualismo e a falta de informação da sociedade civil colaboram a questão.
Em primeiro plano, o exacerbado individualismo é o principal responsável pelo escasso número de doações de órgãos no Brasil. Isso acontece porque, com o advento da globalização no país, o indivíduo tende a ingressar na estrutura social brasileira, potencializando o progresso social. No entanto, conforme o sociólogo Zygmunt Baumann, em sua obra ‘‘Amor Líquido’’, uma parcela da população não desenvolve, de fato, suas relações interpessoais. Sob tal ótica, muitos familiares acaba não se importando com a necessidade de outro indivíduo e, dessa forma, não permite a doação de órgãos. Por consequência dessa fragilidade nos laços afetivos, o individualismo é potencializado e, consequentemente, o Brasil não atinge a média recomentada pela Organização Mundial da Saúde.
Outrossim, o desconhecimento da população brasileira - no que diz respeito às regras e protocolos do processo de doação - influencia na problemática. Isso porque, segundo o Dr. Drauzio Varella, em um vídeo publicado em seu canal na internet, a doação de órgãos no Brasil ainda é cercada de mitos. Sob essa perspectiva, por exemplo, muitos brasileiros acreditam - erroneamente-, que ao doarem o órgão, o corpo do falecido precisa ser sepultado em caixão lacrado. Além disso, acredita-se que o recebedor do órgão passará a se comportar como o falecido. Por conseguinte, a prática da doação de órgãos torna-se cada vez mais distante da conjuntura brasileira.
Infere-se, portanto, a necessidade de criar medidas para a solidificação de um mundo melhor. Em razão disso, com a finalidade de desconstruir o individualismo na sociedade brasileira, urge ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas incluir, por meio de uma reforma na grade curricular, a disciplina de Ética e Cidadania. Tal disciplina deverá ser ministrada de forma lúdica e adaptada a cada faixa etária, contando com a capacitação prévia dos professores acerca do assunto. Ademais, o Ministério de Saúde deve disseminar, nos meios de comunicações, campanhas que desconstrua os mitos acerca do processo de doaçã, bem como propagandas que incentivem a prática de doação de órgãos no pais. Somente assim, o Brasil poderá atingir a média recomentada pela organização Mundial da Saúde.