Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 06/08/2020
Até o século XIX realizar uma cirurgia era quase uma sentença de morte devido o pouco conhecimento e baixa tecnologia acerca desse assunto pela comunidade médica da época. Hodiernamente, tais mecanismos tornaram-se mais seguros, inclusive, no que tange à doação de órgãos, a qual tem por objetivo fornecer partes de um corpo saudável a um enfermo. No entanto, impasses como a falta de diálogo familiar e a deficitária logística institucional dificultam esse benefício.
Primeiramente, a ausência de comunicação do possível doador com seu parente traz embargos à nação. Trata-se de uma população que, por vezes, têm ânsia em ser um voluntariado, como fornecer um pâncreas após seu óbito, porém têm receio da repulsa em seu entorno, seja ela por mitos religiosos, ou por não ter conhecimento do processo. A consequência disso é a diminuição no auxílio, por exemplo, de rins em postos de coleta, já que, devido a não autorização do defunto, os parentes ficam mais conservadores com relação à manipulação do seu corpo. Prova desse fato são os dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, a qual diz que 43% das famílias recusaram-se a fazer doação de parte do ente querido, em 2018. Logo, enquanto o Brasil na mudar essa postura arcaica a sobrecarga e o desperdício de dinheiro público com leitos ocupados serão corriqueiros.
Segundamente, a falta de uma organização qualificada de doação impulsiona esse caos. Isso porque a centralização de postos de coleta e transplantes nas regiões Sul e Sudeste do país inviabilizam a ajuda de doadores que moram em locais mais interioranos. Haja vista que, segundo o Ministério da Saúde (MS), a isquemia— retirada, por exemplo, do coração de um defunto e a transferência para o doente—, deve durar no máximo quatro horas. Nessa corrente, se um provável contribuidor estiver no Norte do país, ele provavelmente não conseguirá fazer seu altruísmo, devido a distância considerável da viagem. Assim, é inadmissível a perpetuação dessa omissão estatal, dado que essa demora frustra o paciente e , em alguns caos, leva-o a morte, similar a do século XIX.
Destarte, é mister o combate aos dilemas da entrega de órgãos no Brasil. Nesse caso, urge que o (MS) e as secretarias municipais intensifiquem os anúncios nas redes sociais sobre o que é ofertar uma parte do próprio corpo para a sobrevivência de outrem, dar dicas de como demonstrar aos parentes a importância dessa ação, por meio de videoaulas para criar dossiês de consentimento do desejo no intuito de dar uma nova oportunidade de viver a quem necessita. Tal iniciativa deve buscar ajuda de ONGs e empresas a fim de estimular o aumento de postos de transplantes em locais distantes, com fornecimento de leitos, equipamentos cirúrgicos e cursos profissionais para agentes de saúde qualificarem-se na área, visando evitar perdas de vida. Nisso, aumentar-se-á a empatia na sociedade.